Segmento LGBT Socialista do PSB-DF move ação no MP contra coordenador da Palmares por homofobia


Victor Hugo Barboza (à direita) com o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo - (Imagem: Reprodução/Instagram)

O PSB-DF entrou com uma ação no Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) para que o órgão investigue conteúdos homofóbicos divulgados nas redes sociais pelo advogado Victor Hugo Barboza, coordenador de Articulação e Apoio às Comunidades Remanescentes dos Quilombos da Fundação Cultural Palmares.


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O documento foi protocolado nesta quinta-feira (27) pelo presidente do PSB-DF, Rodrigo Dias, e pelo secretário distrital do segmento LGBT Socialista, Allysson Prata. No ofício foram anexados prints da página do Instagram de Cardozo em que aparecem mensagens como: "Sair do armário talvez não seja a melhor solução. Teoria Afirmativa Gay x Terapia da Reorientação Sexual", além de outras divulgando a ilegal terapia de "cura gay".


"Não há o que se reorientar, não é uma doença e não é um transtorto. As pessoas que tratam LGBT' como doentes precisam ser pedagogicamente punidas no Distrito Federal e em todo Brasil. Por isso assinamos essa denúncia, para que crimes como esse não fiquem impunes", afirmou o secretário LGBT Socialista, Allysson.

Também é possível encontrar na denúncia, posts que criminalizam a população LGBT afirmando que casos de violência contra a mulher estão ligados à "homossexualidade inconsciente e uso de álcool e drogas", entre outros devaneios criminosos.


O PSB-DF aguarda o MP analisar a documentação.


LGBTfobia mata


Na justificativa da ação, os socialistas destacam alguns números da homofobia no país, entre eles, o chocante índice do Sistema Único de Saúde (SUS) que registra uma pessoa LGBT sendo agredida no país a cada uma hora.


Esse e outros indicadores colocaram o Brasil como o país que mais mata LGBT's no mundo sendo, em média, uma morte a cada 23 horas. Segundo Prata, campanhas e discurssos como os de Victor Hugo instigam outras pessoas a odiarem à população LGBT e a praticarem crimes contra gays, lésbicas, bissexuais e, principalmente, travestis e transexuais, que são os que mais morrem entre todos.


"São pessoas como esse senhor (Victor Hugo), que levam o discurso do ódio, que pregam esse ódio e incitam outras pessoas a praticarem crimes contra a população LGBT", afirmou ele.

Reincidente


E não é a primeira vez que Barboza se envolve em polêmicas com movimentos sociais. Mesmo trabalhando em um dos principais órgãos de políticas voltadas para a população afrobrasileira, a Fundação Palmares, ele publicou uma citação do escritor Gilberto Freyre, que tenta minimizar a situação dos negros escravizados no Brasil.


“Na verdade, a escravidão no Brasil agrário-patriarcal pouco teve de cruel. O escravo brasileiro levava, nos meados do século XIX, quase vida de anjo, se compararmos sua sorte com a dos operários ingleses, ou mesmo com a dos operários do continente europeu (XIX)", reproduziu ele.


"É inaceitável que uma pessoa que ocupa um espaço público de poder e é considerada autoridade no Distrito Federal, um homem que se diz advogado, tenha falas lgbtfóbicas. E sabemos que não é só lgbtfobia, é racismo, é machismo, é sexismo", lamentou Allysson Prata.
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