Parlamentares do PSB discutem violência política contra mulheres

Para marcar a luta das mulheres nesse 08 de março, parlamentares do PSB se reuniram na Fundação João Mangabeira (FJM), em Brasília, para debater os desafios e conquistas do atual cenário político brasileiro. A deputada federal Tabata Amaral conduziu um debate sobre a Lei 14.192/21, sancionada em agosto do ano passado, e que estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher.


De acordo com a parlamentar, não basta garantir cotas para que as mulheres disputem as eleições. É preciso garantir que as candidaturas sejam viáveis e, principalmente, a segurança das mulheres eleitas. Tabata lembrou de todas as vezes que foi barrada no congresso por não parecer uma deputada.


“A lei de violência política contra as mulheres foi uma conquista fundamental porque situações assim agora são crimes e essa garantia pode incentivar mais mulheres a entrarem para a política”, avalia.


A deputada estadual do Amapá, Cristina Almeida, também relatou situações de violência política vivenciadas na Assembleia Legislativa e cobrou que essas situações sejam criminalizadas. “Imagine você entrar para um debate eleitoral em uma campanha para prefeita e entrar com um coro de pessoas chamando você de macaca macumbeira? Foi isso que aconteceu comigo e é uma situação que desestabiliza muito e não podemos admitir.”


Cristina lembrou o caso da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, assassinada no dia 14 de março de 2018. “Nas últimas eleições municipais tivemos 9 mil mulheres eleitas no Brasil, o que representa 6,3% apenas e muitas enfrentaram situações de violência virtual e moral”, destaca a deputada. Os dados citados são do Instituto Marielle Franco e revelam que, nas eleições de 2020, 8% das vereadoras eleitas foram vítimas de ataques racistas durante lives ou reuniões virtuais públicas. E 60% das mulheres negras entrevistadas relataram ter sido vítimas de insultos, ofensas e humilhações em decorrência de atividade política.


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O evento, intitulado “Cá entre nós, mulheres” contou ainda com a presença das deputadas estaduais socialistas, Laura Gomes (PE) e Cristina Almeida (AP); da advogada Gabriela Rollemberg e da secretária Distrital de Mulheres do partido, Yara Gouvêa.


Além da secretária nacional da SNM, Dora Pires, do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, da diretora da FJM, Amanda Sobreira, e das mulheres que integram a Executiva Nacional da SNM.

Homenagem a Margarida Vieira

As celebrações do Dia Internacional de Luta das Mulheres deste ano no PSB foram marcadas por uma homenagem à Margarida Vieira, primeira e única mulher a presidir a Fundação João Mangabeira. Pioneira no pensamento intelectual dentro do PSB e dedicada à formação política, ela não pôde estar presente fisicamente no evento em Brasília por razões de saúde, mas gravou um vídeo ao lado da secretária distrital de Mulheres, Yara Gouvêa.

“Margarida é uma cientista política que soube unir a teoria e o fazer política. Dedicou a vida à formação política e é referência para a militância de esquerda”, disse no vídeo a deputada federal Lídice da Mata. O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, lembrou que foi ele quem apresentou Guida Vieira, como é conhecida, a Miguel Arraes. “Sou amigo de Guida Vieira há 32 anos e mesmo antes dela presidir a Fundação, ela já fazia formação política. Ela entende o tipo de socialismo que nós defendemos. Um socialismo absolutamente contemporâneo, que é precursos da liberdade, da democracia e da liberdade politica, ideológica, cultural e social”, disse Siqueira.


Margarida agradeceu a homenagem e destacou que a FJM é uma entidade fundamental para a formação de base da militância. “Um partido político funciona a partir das ideias e todos nós, seres humanos, temos um compromisso com nossos semelhantes para fazer a diferença no mundo em que vivemos. Não estamos aqui para obter lucros, estamos aqui para atuar e contribuir com a sociedade”, encerrou Guida Vieira.


Ela foi presidente da FJM entre os anos de 1997 e 1998, indicada por Miguel Arraes. Ao final do evento foi homenageada com uma foto, que passa a compor a galeria de ex-presidentes da Fundação.

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