OMS rediscute critérios para distribuição de vacinas


OMS admite rediscutir critérios para distribuição de vacinas - (Imagem: Reprodução/Socialismo Criativo)

A Organização Mundial da Saúde (OMS), está rediscutindo os critérios de distribuição de doses de imunizantes contra a Covid-19. Quando a meta de vacinação de 20% da população de cada país for atingida, a entidade admite que poderá reavaliar os critérios para os países em desenvolvimento.


O Brasil poderá ser beneficiado, ainda que a agência deixe claro que grande parte do abastecimento nacional virá da própria produção local no país, já que a ideia é de que sejam consideradas nas avaliações futuras a intensidade dos efeitos da pandemia da Covid-19 e a vulnerabilidade dos países. O Brasil continua entre os locais com a maior transmissão do vírus no mundo e atualmente soma quase 500 mil mortes.


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Países mais afetados pela crise podem ser beneficiados


O plano inicial da OMS era de que as vacinas fossem distribuídas por meio da Covax Facility, um mecanismo criado para comprar doses e garantir sua entrega em países em desenvolvimento. A estratégia é atingir 20% de cobertura vacinal em cada um dos países, o que significaria proteger idosos, profissionais de saúde e pessoas com doenças crônicas.


A meta também era vacinar 1 bilhão de pessoas até o final do ano nas economias mais pobres, e também está seriamente ameaçada. Por enquanto, a entidade conseguiu enviar apenas 80 milhões de doses e espera, até setembro, atingir 250 milhões de pessoas. Ainda assim, a OMS continua considerando que a estratégia mais eficiente para lidar com a pandemia é a de garantir que haja um esforço para que 20% da população de cada país seja imunizada.

Gestões nacionais da vacina frustram planos

O nacionalismo de vacinas, produção abaixo do esperado, restrições de vendas na Índia e o acúmulo de contratos entre empresas e países ricos frustraram os planos da OMS. Usando como exemplo o Brasil, a gestão desastrosa de Jair Bolsonaro (sem partido) diante da pandemia agravou o quadro e dificulta a vacinação, que caminha a passos muito lentos desde o seu início.


A recusa do governo brasileiro em comprar vacinas mesmo com a veemente insistência de fabricantes como a Pfizer, a promoção de desinformação, fake news e tratamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, as declarações que colocavam em dúvida a eficácia de vacinas e a recusa em implementar medidas sanitárias e de isolamento social foram decisivas, segundo epidemiologistas, para que o Brasil tenha chegado à situação atual.


A entidade admite, portanto, que conversas estão sendo realizadas para adaptar a distribuição, considerando a dimensão da transmissão em cada região do mundo. A revisão é também defendida pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), já que, dos cinco países com maior número de mortes na última semana, quatro são latino-americanos: Brasil, México, Argentina e Colômbia.

Novas estratégias de distribuição

Bruce Aylward, representante da OMS, explica que algumas novas estratégias estão sendo consideradas neste momento, entre elas rever os critérios de distribuição, depois que 20% da população de cada país for atendida. “Quando criamos a Covax, precisávamos estabelecer critérios sobre como as vacinas seriam alocadas”, disse.


“O acordo era de que os primeiros 20% da população seriam assegurados de forma conjunta para que o mundo pudesse estar o mais protegido possível da doença, apenas depois dos 20% é que poderíamos mudar a modalidade onde poderíamos considerar ameaçam, vulnerabilidade (de um país) e a severidade da transmissão.” Bruce Aylward

Segundo Aylward, duas coisas mudaram desde que o acordo foi estabelecido em 2020. A primeira delas foi a proliferação de entendimentos assinados entre países para a doação de vacinas. Além disso, o que a OMS constatou foi uma disparidade importante na situação epidemiológica do vírus, com regiões conseguindo caminhar em direção a um controle maior da doença, enquanto outras continuam duramente afetadas.

Três aspectos em avaliação

A OMS hoje discute sob três aspectos a construção dos novos critérios. O primeiro deles é como doações e outras doses adicionais podem ajudar os locais mais atingidos. Em recente anúncio de Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, a Casa Branca já deixou claro que, além de doações para a Covax, também faria uma distribuição focada em regiões mais afetadas pela crise.


Um segundo aspecto considerado pela OMS é a criação de uma espécie de fundo especial para garantir doses de vacinas para regiões que já vivem crises humanitárias ou conflitos armados. Esse volume, porém, é considerado menor, em comparação ao total de distribuição de vacinas.


Uma terceira negociação ainda ocorre dentro da Covax: Governos que fazem parte do conselho de administração do mecanismo poderão “revisitar” os critérios para que haja uma atenção maior aos locais mais vulneráveis. Aylward, alerta, porém, que todo o processo vai precisar passar ainda por muitas negociações. “Isso vai exigir muito debate com os países da Covax e com os países que receberão doses”, disse.

Brasil ainda precisará contar com produção própria

No que se refere ao Brasil, Aylward não esconde que, para o futuro próximo, o principal abastecimento de vacinas no país ocorrerá a partir de sua produção doméstica, e não por meio da Covax. Em 2020, o governo Bolsonaro optou por comprar um volume baixo de vacinas da Covax. O mecanismo permitia que um país fizesse encomendas para até 50% de sua população. Mas o Brasil optou por adquirir apenas 42 milhões de doses, o equivalente a 10% da população brasileira, considerando duas doses por pessoa.


O país também enfrenta problemas na fabricação nacional de vacinas. Em maio, o Instituto Butantan anunciou a paralisação da produção da Coronavac por falta de insumos que dependiam de liberação na China. Pelo mesmo motivo, a responsável pela fabricação da vacina de Oxford contra a Covid-19 no Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) será obrigada a paralisar na sexta-feira (11), sua produção dos imunizantes.


Entraves diplomáticos são apontados pelo Governo de São Paulo, que estabaleceu as negociações com a Sinovac para produção da Coronavac pelo Butantan, como responsáveis pela paralisação do envio dos insumos pela China.


Com informações de Uol e CNN Brasil


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