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O acesso à internet como um direito humano fundamental, uma bandeira para o PSB


(Imagem: Reprodução/Socialismo Criativo)

Por Luciana Capiberibe, Socialismo Criativo


Estava participando da edição do Clube do Livro sobre o livro 5 da Autorreforma na manhã de um sábado, e o debate me levou a refletir sobre a questão da internet como um direito amplo e irrestrito para os brasileiros. Todos concordam quando dizemos que vivemos numa sociedade em rede, o sociólogo espanhol Manuel Castells explica muito bem isso no livro com o mesmo nome. Ele fala de capitalismo informacional, onde não é mais a produção de bens para o consumo que dita os caminhos do dinheiro. Agora é a informação como mercadoria que faz a roda da fortuna girar. Nas redes se negocia todo tipo de informação, desde dados pessoais de usuários, até notícias, informações sobre localização, transporte e preferências gastronômicas, passando ainda por encontros amorosos.


Em 1980 a Unesco tornava público o relatório MacBride, o documento, que ficou conhecido como “Um Mundo e Muitas Vozes”, foi desenvolvido por um grupo de especialistas de várias partes do mundo, incluindo o jornalista e escritor colombiano Gabriel Garcia Marquéz, e revelou profundas desigualdades na distribuição e fluxo de informações, onde os países ricos dominavam os processos de comunicação de massa e os países em desenvolvimento figuravam como consumidores do que lhes era ofertado pelos países do hemisfério norte. Entre outras sugestões, o grupo propôs a democratização da comunicação. O resultado gerou uma crise política e culminou com a saída dos Estados Unidos e do Reino Unido da Unesco, eles retornaram mais de uma década depois.


Passados 41 anos, a internet ocupa um espaço cada vez maior na produção e distribuição de informação. Mais uma vez se observa o predomínio do conhecimento tecnológico e dos meios de produção pelos países economicamente mais desenvolvidos com relação aos demais. Na principal bolsa de valores dos Estados Unidos, a Nasdaq, as maiores e mais valiosas empresas listadas são as big techs, ou seja, do setor de tecnologia da informação e da comunicação. A maior delas é a Apple, seguida por Microsoft, Amazon, Facebook, Adobe, Google e por aí vai. Facebook, Instagram e WhatsApp pertencem ao mesmo proprietário; Google e Youtube também. São gigantes do processamento, da distribuição, da geração e do marketing da informação mundial. Enquanto isso, no Brasil, até bem pouco tempo, a mais valiosa ação da Bolsa de Valores era a da siderúrgica Vale, continuando a velha tradição colonial de exportação de commodities.


E o que isso quer dizer? Que estamos ficando cada vez mais para trás. O projeto do Socialismo Criativo, ofertado pelo PSB em seu processo de Autorreforma, é uma proposta para se contrapor a essa realidade e sintonizar o Brasil com a era da sociedade em rede. Para que este, que é hoje o principal projeto do PSB, siga em frente com maior impulso ,e mais possibilidade de ser implantado, é preciso garantir o mínimo, e o mínimo nesse caso é o acesso à internet a todos os brasileiros.


Destaca-se que, segundo o IBGE , 12,3% dos domicílios brasileiros não dispõem de internet, totalizando cerca de 40 milhões de pessoas atingidas pela exclusão digital. Além da grande fatia da população que não tem internet, há aquela também que tem acesso à internet com banda insuficiente para participar de uma reunião online, assistir aula, ver um vídeo ou fazer uma transmissão online. O PSB como partido pode e deve encampar a ideia da internet como um direito fundamental do ser humano para garantir a todos o direito à essa ferramenta, que não é mais opcional, é obrigatória para que se faça parte da nova ordem global, pois até para contestá-la é preciso conhece-la.


*Luciana Capiberibe é mestra em comunicação pela UnB e assessora de comunicação da Fundação João Mangabeira

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