Novos hospitais de campanha do GDF não terão leitos de UTI

Atualizado: Abr 23


GDF volta atrás e decide não implementar leitos de UTI nos novos hospitais de campanha. Fila de espera para terapia intensiva no DF já conta com mais de 200 pessoas - (Imagem: Divulgação/Secretaria de Saúde)

Os três hospitais de campanha prometidos pelo governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) não contarão com Unidades de Terapia Intensiva (UTI's). Ao contrário do que afirmou o governador no anúncio da construção dos hospitais, a Secretaria de Saúde divulgou a informação de que as 300 novas vagas serão de Unidades de Cuidados Intermediários (UCI's). Estes leitos são destinados a pacientes com risco moderado.


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As estruturas estão montadas desde a semana passada aguardando liberação para funcionamento. Também já foi realizada a contratação de empresa que irá gerir os hospitais pelo período de 180 dias.


Justificativa


Em nota, a Secretaria de Saúde justificou a falta dos leitos de UTI afirmando que “de acordo com Portaria nº 1514, do Ministério da Saúde, nos hospitais de campanha, que são estruturas temporárias, não podem ser instalados leitos de UTI”. Porém, a portaria em momento algum proíbe a construção do leitos. No texto há, apenas, uma recomendação para que eles sejam instalados prioritariamente em hospitais permanentes.


O próprio GDF já construiu leitos de terapia intensiva nos hospitais de campanha da Ceilândia, de Santa Maria e da Polícia Militar. Por isso, segue o mistério do porquê da desistência do executivo local em relação aos tão necessários e esperados leitos.


FIla de espera


Segundo dados do próprio GDF, divulgados por meio do portal InfoSaúde , 99% dos leitos de UTI adulta da rede pública da capital, estão ocupados. De acordo com as informações do site, 449 UTI's estão ocupadas com pacientes de covid e 12 estão liberadas. Porém, entre as liberadas, duas são pediátricas, seis neonatais e quatro para adultos. Outras nove aguardam liberação.


Atulmente, a lista de espera de pessoas que necessitam da UTI para tentar sobreviver conta com 221 pessoas, sendo que, destas 126 são de pacientes com suspeita ou confirmação de covid-19.


Senadora Leila Barros cobra GDF


Atenta à gestão da pandemia no DF, a senadora Leila Barros (PSB-DF) cobrou coerência do governo federal e do GDF em relação às medidas que são anunciadas.


"O governo federal e o GDF precisam parar com a prática de não honrar promessas, descumprir prazos e transmitir informações desencontradas, principalmente com as questões relacionadas ao combate da pandemia provocada pela covid-19", afirmou ela no tweet.



"A promessa não foi cumprida. Mais uma. Agora, a previsão passou para inaugurar pelo menos um até o final de abril. O mais grave é que os leitos – que segundo autoridades do GDF, inclusive o governador – seriam de UTI, não serão mais". E continuou: "Como explicar isso aos familiares das pessoas que ontem aguardavam uma vaga em UTI? Mesmo para as unidades de cuidados intermediários (UCIs) começarem a funcionar, faltam equipamentos e profissionais. A população merece mais transparência e ser tratada com respeito".





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