Militância identitária, interseccionalidade e a cultura do cancelamento



Socialismo Criativo Juventude em Movimento é a coluna quinzenal e exclusiva para o site Socialismo Criativo assinada por Juliene Silva (PSB-RJ) . Militante do Partido Socialista Brasileiro (PSB), ajuda, desde os 16 anos a construir um país melhor, mais igualitário e com mais respeito e liberdade.

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Boa leitura!


Um fenômeno que abarcou a militância virtual é a rede de cancelamento. Tem quem ache que esse é um processo pedagógico em que se usa as redes como forma de protesto à ações preconceituosas, para que essas sejam vistas e devidamente punidas. Mas há quem acredite que tratar de linchamentos virtuais, porque a intensidade da retaliação se torna desproporcional ao ato além de influenciar na vida pública, pessoal e profissional daquela pessoa.


Esse texto não irá trabalhar qual ótica deve ser defendida, mas sim uma particularidade desse fenômeno que é como ele tem exposto a divisão entre os movimentos sociais.

O machismo, o racismo e a LGBTQIA+fobia fazem parte da nossa criação e da estruturação social, consequentemente é correto pensar que nossas ações tendem, mesmo que inconscientemente, a carregarem o peso desses processos.


Somado a isso existe a dificuldade, diria até falta de vontade, de interseccionalizar o debate. Cada minoria social tem permanecido com o olhar centrado tão somente para suas próprias pautas sem trabalhar contexto geral dos processos.


Essas duas questões conectam-se às ações de “cancelamento virtual” fazendo com que haja uma propensão menor de aceitar o erro de minorias e que ao mesmo tempo haja uma mobilização muito maior para construir o confronto a estas. Entendendo este fenômeno acontece dentro dos nichos que possuem consciência social.


Essa semana aconteceram casos que exemplificam o fenômeno.


O primeiro foi com o rapper Lil Nas X, que decidiu realizar o lançamento do seu primeiro EP com a divulgação de vídeos e fotos suas grávido, ação que foi criticada por setores da comunidade LGBT, da qual ele também faz parte.


Não julgo o mérito se o rapper errou ou não no método de divulgação mas fato é que a maior parte dos ataques dedicados a ele eram racistas. Então o que temos é um homem negro sofrendo racismo com a justificativa de ter realizado transfobia.


Outro momento aconteceu interno ao PSB com a filiação da Tabata amaral, que para muitos não representa os interesses socialistas e, por isso, não deveria estar no partido mas o que estruturou os comentários negativos não foi o quesito ideológico mas, sim, o machismo.


Nesse aspecto o que tem se caracterizado é uma falta de maturidade política de se aprofundar nas demandas diversas a própria realidade e construir narrativas e ações que englobam as demandas gerais. O que se expressa na necessidade das comunidades identitárias de punir aqueles que não compartilham de suas vulnerabilidades sem qualquer análise prévia das consequências disso.


Como efeito nos aproximamos do que nos divide e esquecemos o que nos une. A luta de classes.

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