Manifesto do PSB faz frente aos desafios do capitalismo atual

O novo Manifesto do Partido Socialista Brasileiro (PSB) foi aprovado durante o XV Congresso Nacional do partido. Para a construção de um país “livre, soberano, moderno, criativo e solidário”, os socialistas observaram a necessidade de atualizar as diretrizes do PSB e aprovaram o novo documento, amplamente discutido durante os dois anos e quatro meses que durou o processo de Autorreforma do partido.


“Riqueza e desigualdade, luxo e miséria, desperdício e carências elementares, beleza cultural e violência, principalmente entre os mais pobres, caracterizam o Brasil do início do século XXI. A pandemia do coronavírus aprofundou esse quadro, engendrou novos modelos de trabalho e ampliou a exploração”, pontuam os socialistas no início do documento.

O novo Manifesto substitui o documento de 1947, reafirmando os ideais de igualdade do partido em consonância com as necessidades que a nova realidade exige a partir do Socialismo Criativo, defendido pelo PSB.

“Os socialistas e as socialistas compreendem que, tanto no Brasil como no mundo, a luta de classes elevou-se a um novo patamar, em que os atores do capital e do trabalho operam em um novo cenário, onde o grande capital financeiro e a economia imaterial constituem-se nos fatores mais dinâmicos do capitalismo” Manifesto do PSB

Socialistas durante a Plenária do XV Congresso Nacional do PSB. Foto: Mateus Tourinho

Para o presidente do PSB, Carlos Siqueira, reeleito durante o Congresso para comandar o partido pela terceira vez, destaca a importância do novo Manifesto.


“Somos um partido socialista em primeiro lugar”, afirmou durante a votação do documento, no sábado (30), em Brasília.

“O PSB conclama a juventude; os trabalhadores de todas as categorias; os empresários; os intelectuais; as mulheres; os negros; a população LGBTQIA+; os líderes comunitários e religiosos de todas as correntes; a se unirem em torno de um programa democrático, revolucionário e igualitário, que reúna, unifique e mobilize nossas potencialidades e vocações libertárias para a construção de um Brasil livre, soberano, moderno, criativo, solidário e sustentável” Manifesto do PSB

Autorreforma e o parlamentarismo

Para o ex-deputado constituinte Domingos Leonelli, que esteve à frente da Comissão Sistematizadora da Autorreforma, a aprovação do documento faz com que o PSB tenha “o melhor programa partidário do Brasil”.


Ele destacou que o novo programa estabelece o tipo de socialismo defendido pelo PSB. É a partir do Socialismo Criativo que o PSB quer promover a nova revolução do século XXI.

“Não uma revolução violenta, mas uma revolução que representa uma transformação estrutural de longo prazo e que promoverá o aprofundamento da democracia política, econômica e social”, disse.


Leonelli, que também é o coordenador do site Socialismo Criativo, foi relator do Eixo Temático I, que trata da Reforma do Estado, e destacou que o PSB se posiciona favorável ao parlamentarismo. Além de propor a eleição direta para organismos internacionais, na América Latina.

“Propomos um novo federalismo, pois precisamos de um Estado que consiga ser instrumento de um projeto nacional de desenvolvimento e para isso a Reforma do Estado é absolutamente necessária para que a gente consiga alcançar a social democracia e, futuramente, uma sociedade socialista e democrática” Domingos Leonelli

Carlos Siqueira agradeceu o empenho de Leonelli na construção dos seis livros e das mais de 520 teses apresentadas e defendidas para compor a Autorreforma.


“Leonelli demonstrou um grande comprometimento e energia para coordenar esse processo que foi profundamente democrático”, afirmou o dirigente socialista.


Luta pela democracia

O XV Congresso Nacional do PSB culminou com a reeleição do presidente do partido, Carlos Siqueira por unanimidade e sob fortes aplausos da militância socialista, para os próximos três anos. Foram eleitos também a Comissão Executiva e o Diretório Nacional do PSB.


Muito emocionado, Siqueira lembrou que assumiu a presidência do PSB em um dos momentos mais difíceis, depois da morte de Eduardo Campos, em 2014. Destacou que este será seu último mandato à frente do partido e que se sente muito lisonjeado pela confiança dos socialistas para o terceiro mandato à frente do partido.

“A minha principal função é ser um militante do PSB. Isso me bastava. Mas o destino me levou a ser candidato, quando Eduardo faleceu, e foi um chamamento que recebi até esse momento e estou muito orgulhoso disso, de ter essa confiança que existe até aqui e que permite exercer mais esse terceiro mandato” Carlos Siqueira

Siqueira contou que apesar da pandemia – e com todas as precauções – não deixou de ir um dia sequer ao partido.

“Mas, por muitas ocasiões, todos nós sabíamos que as nossas vidas estavam inseguras e sabíamos que havia uma situação política extremamente desconfortável no nosso país e um presidente da República que fazia ameaças antidemocráticas”, relembrou Siqueira.

Objetivo maior

O socialista afirmou que estamos no período mais duradouro que o Brasil teve sob a democracia. E chamou militantes e lideranças a se unirem em torno de um objetivo maior.

“Tenho um único pedido a fazer, além do agradecimento de coração que eu faço a vocês. Quero dizer que o nosso dever como cidadãos brasileiros, amantes da liberdade e da democracia, temos que incentivar todos os nossos militantes para, mais do que nunca, arregaçar as mangas para eleger Lula e Alckmin” Carlos Siqueira

Ele destacou a população brasileira e o desenvolvimento estratégico do país como objetivos centrais dos socialistas e a necessidade da união de todos os que “defendem a liberdade e a democracia, com o objetivo maior do socialismo, da igualdade e do fim dos preconceitos”.


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