Lógica e gestão política temerária

Por, Domingos Leonelli


Depois de quase dois anos de construção da candidatura de Jaques Wagner ao governo da Bahia, com a manutenção da aliança de centro com o PSD e o PP e a necessária manutenção de Rui Costa no governo do Estado, o PT dá o que chamei de “cavalo de pau num transatlântico” : Rui torna-se candidato ao Senado, deslocando Otto Alencar para o Governo do Estado, já que Wagner não seria mais candidato ao governo. Isso corresponderia ao desejo de Lula trazer o apoio do PSD já no primeiro turno. E foi acertado numa conversa restrita entre Lula, Wagner e Rui, em São Paulo. Sem consulta aos aliados mais fieis do PT da Bahia , entre eles o PSB e o PCdoB.


Aí o senador Otto Alencar, do alto de sua razão e legitimidade, decide que não aceita ser candidato ao governo e que permanecerá como candidato a reeleição. Para tristeza do vice-governador João Leão (PP-BA), segunda perna da aliança conservadora do PT na Bahia, o governador Rui Costa volta a permanecer no Governo do Estado . E assim, o PT volta a ocupar a pré-candidatura ao governo. Por qualquer raciocínio lógico formal , Wagner voltaria a ser o candidato do PT ao governo.


Mas na estranha e exclusivista dialética petista não é isso que ocorre . O próprio ex-governador e ex-candidato Jaques Wagner é quem anuncia que o PT escolherá entre três nomes (do PT é claro!) para entre eles, um ser o candidato do partido ao Governo do Estado. Três excelentes quadros políticos, Moema Gramacho, Luiz Caetano e Jerônimo Rodrigues . Entretanto, nenhum do três, há uma semana atrás, sonhava com essa hipótese. Se Otto Alencar, que já foi vice governador, deputado e senador, alegou que não estava preparado para assumir uma candidatura ao governo, imagine se os três nomes aventados estariam? E por mais forte que seja a candidatura de Lula , ele ainda não faz milagres.


Acrescente-se um ingrediente ao imbróglio : o sonho “neocarlista” do voto Lula-Neto.

Na minha modesta compreensão, o PT não teria o direito de arriscar perder o comando governamental pelo conjunto das forças democráticas na Bahia. Mesmo sendo o maior partido desse conjunto, e sua força hegemônica , não deveria exercer essa hegemonia de forma tão exclusivista e temerária, pensando apenas em seus problemas internos.


Jaques Wagner deveria levar em conta que quando se chega a um patamar de liderança como ele chegou, não pode colocar sua disposição pessoal acima da lógica politica e do interesse coletivo.


Talvez ainda seja tempo de recompor as forças democráticas da Bahia para enfrentar a dura disputa com ACM Neto. Com Jaques Wagner para o governo, Otto para o Senado e o PP na vice.


Por Domingos Leonelli, ex-deputado federal e coordenador do site Socialismo Criativo

1 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo