Governos socialistas priorizam atingidos por chuvas e Bolsonaro politiza tragédia

Por Socialismo Criativo


O presidente Jair Bolsonaro (PL) fez da tragédia em Pernambuco seu mais novo palanque eleitoral. Após cortar 45% dos recursos do combate a desastres, o presidente criticou governadores no lugar de assumir sua própria responsabilidade.


Sobre as 91 vítimas fatais na tragédia de Pernambuco, ele disse que “infelizmente essas catástrofes acontecem”.


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Acompanhado por ministros, Bolsonaro sobrevoou o Estado, mas não esteve em nenhuma das áreas afetadas. Optou por dar declarações de caráter eleitoreiro.


Mesmo sem apoio do governo federal, o governador do Estado Paulo Câmara (PSB) reagiu de imediato com uma série de medidas para mitigar as consequências do desastre.


Paulo Câmara antecipou a nomeação de 92 bombeiros e disponibilizou R$ 100 milhões para o trabalho de busca e salvamento e também para obras urgentes e de infraestrutura nas cidades atingidas.


O governador também entrou em contato com todos os prefeitos de cidades atingidas, acionou o Comando Militar do Nordeste e solicitou auxílio das Forças Armadas.

“Não vou comentar ato político. Nosso foco está no atendimento à população e no apoio aos municípios. Estamos no meio de uma emergência, com 26 pessoas ainda desaparecidas. Toda ajuda para o povo de Pernambuco será sempre bem-vinda.” Paulo Câmara

A mudança de postura de Bolsonaro quanto às tragédias de Pernambuco surpreendeu o o pré-candidato a governador de Pernambuco, Danilo Cabral (PSB).


“Tantas tragédias aconteceram no Brasil ultimamente, como em São Paulo, na Bahia e no Rio, e o presidente apareceu bem longe do problema, passeando de lancha ou de motocicleta. Isso sem falar na falta de empatia dele diante das milhares de vítimas da Covid-19″, disse.


“Dá até para pensar que as pesquisas eleitorais estão diminuindo a insensibilidade que ele sempre demonstrou diante da perda de vidas humanas”, completou.


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Para o socialista, “as declarações de Bolsonaro e de seus asseclas parecem indicar que o presidente ainda está com a febre Datafolha”, declarou Danilo.


Isso porque a última pesquisa de opinião do Instituto mostra que o atual presidente está muito atrás de Lula na corrida pelo Palácio do Planalto. No estudo, o petista tem 48% e pode vencer no primeiro turno; enquanto o ex-capitão marcou 27%.

Prefeitura declara situação de emergência

A Prefeitura do Recife, administrada pelo socialista João Campos, declarou situação de emergência, o que autorizou a mobilização de servidores de todos os órgãos e secretarias municipais.


Sob a coordenação da Defesa Civil, as ações buscam garantir a segurança das pessoas e medidas de respostas ao desastre, além de mitigar os impactos das chuvas.


Nesta segunda-feira (30), Campos anunciou o cancelamento das festividades de São João. Desta forma, o município pode redirecionar R$ 15 milhões em recursos para as ações de amparo às vítimas.


Foram disponibilizados ainda 41 equipamentos públicos espalhados em mais de duas dezenas de bairros da cidade para abrigar as vítimas.


As pessoas estão acolhidas em escolas e creches da rede municipal de ensino, escolas estaduais, igrejas, no Centro Social Urbano (CSU) Bidu Krause, e em uma Organização Não-Governamental (ONG).


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“Nesse momento, temos 3,5 mil recifenses que estão nos nossos abrigos. A Prefeitura do Recife está suspendendo o São João, o São Pedro e os festejos juninos. Com isso, nós vamos incrementar em R$ 15 milhões as ações direcionadas para as famílias atingidas e ao longo da semana a gente vai compartilhar com vocês várias outras medidas de priorização para as famílias, para as vítimas, para as pessoas que foram fortemente atingidas nesse momento”, disse o prefeito.

“Bolsonaro é um ‘urubu rei'”

O líder do PSB na Câmara Municipal do Recife, o vereador Rinaldo Júnior (PSB) chamou Bolsonaro de “Urubu rei” por não respeitar as mortes provocadas pelo excesso de chuva e politizar a tragédia.


Durante discurso na tribuna, ele criticou o governo federal por não liberar verbas para a Prefeitura do Recife executar obras nos morros. E lembrou que o prefeito João Campos chegou a pedir pessoalmente ao ministro do Desenvolvimento Regional, à época, mas o pleito não foi atendido.


Diante da recusa do governo Bolsonaro, uma das soluções encontradas pela Prefeitura do Recife foi ampliar o programa ‘Parceria nos Morros.

Segundo Rinaldo, a iniciativa teve aumento de 650%, ou seja, passou de 150 parcerias na gestão passada para quase 1000 nesse ano.


Para a Ação Inverno 2022, a Prefeitura do Recife investiu R$ 40 milhões em obras em morros na cidade.


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O montante encontra-se distribuído em duas operações de crédito: a primeira junto à Caixa Econômica Federal, através do Programa de Financiamento de Infraestrutura e Saneamento (Finisa) e a segunda junto ao Banco do Brasil, ambas no valor de R$ 100 milhões.


Ou seja, 20% dos R$ 200 milhões captados estão sendo destinados exclusivamente para obras de infraestrutura em morros e áreas de risco, como contenção de encostas, escadarias e demais benfeitorias, observou.


“Importante frisar que essa medida foi adotada por que o Governo Federal não liberou verbas para a Prefeitura do Recife executar obras nos morros. Diante disso, a gestão João Campos fez a sua parte e firmou operações de crédito para pagar as obras que o Governo Federal tinha orçamento, condições financeiras e programas federais específicos para custeá-las, mas não o fez”, criticou.


“Todas essas ações foram realizadas antes da tragédia deste final de semana. É bom lembrar que o prefeito chegou a pedir pessoalmente ao ministro do Desenvolvimento Regional, à época, mas o pleito não foi atendido”, finalizou.


*Com informações do PSB Nacional

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