Globalização chinesa e a estratégia de combate à ômicron

Apesar da estratégia chinesa de combate à covid-19 ser uma das mais bem-sucedidas em todo o mundo, o mercado financeiro insiste em colocar sob desconfiança as medidas de contenção da doença. De acordo com a Universidade Johns Hopkins, a China, que é o país mais populoso do planeta – com mais de 1,4 bilhão de habitantes – registrou 4.849 mortos pela doença desde o início da pandemia e ter sido a única grande economia a crescer.


A variante ômicron, mais contagiosa que as anteriores, porém, tem surgido em todo o país, como em cidades portuárias como Dalian e Tianjin, o que tem provocado restrições de circulação para conter o vírus.


O grupo financeiro multinacional Goldman Sachs reduziu a projeção de crescimento econômico chinês em 2022 de 4,8% para 4,3%. O percentual é cerca de metade da taxa de crescimento do ano passado.


Os analistas do grupo afirmam que a mudança da expectativa ocorre “à luz dos últimos desenvolvimentos da covid – em particular, o nível médio mais alto de restrição (e, portanto, de custo econômico) para conter a variante ômicron, mais infecciosa”.


Leia também: Por que a China mantém política rígida contra Covid-19 mesmo com população vacinada?


A empresa global de serviços financeiros Morgan Stanley também critica a estratégia chinesa contra a covid-19 e dizem que os custos de uma abordagem covid-zero superam os benefícios.


Analistas da empresa preveem crescimento de 4,9% no primeiro trimestre deste ano, mas avaliam que possa desacelerar para 4,2% “se a Ômicron se espalhar para outras regiões e levar a vários bloqueios em toda a cidade”.


Apesar disso, dados da alfândega chinesa, divulgados na última sexta-feira (14), mostraram que as exportações aumentaram 21% em dezembro em relação ao ano anterior, superando as expectativas.

O superávit comercial do país foi de US$ 676 bilhões em 2021, um recorde histórico.

‘Globalização à chinesa’

Especialista no processo de desenvolvimento recente da República Popular da China, o professor Elias Jabbour afirma que opostamente à “globalização exportada pelos Estados Unidos na década de 1990 caracterizada pela coerção econômica e militar de países e povos inteiros”, a China busca outro caminho de desenvolvimento.


Ele cita pronunciamento feito pelo presidente chinês Xi Jinping, em 2017, na Organização das Nações Unidas (ONU), com o discurso “Construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade”.


Para Jabbour, trata-se da “globalização à chinesa”, inclusiva, pacífica e desenvolvimentista.

“A República Popular da China entrega ao mundo a prova histórica de que é possível um país eliminar a pobreza extrema apesar das difíceis condições demográficas, geográficas e econômicas. Milhões de adultos e crianças padecem de fome no mundo, mas nenhuma delas é chinesa!”, defende em artigo publicado no portal Vermelho.


Para ele, a grande contribuição que a China dá ao mundo neste momento é ser a proponente de uma integração física, por terra e mar, do mundo inteiro.


“Impossível não nos remetermos às práticas chinesas, suas lições e o que ela entregou ao mundo desde o início da pandemia. Enquanto países que promovem “encontros pela democracia” saqueavam navios com insumos médicos destinados a países pobres, a China não somente abasteceu a si e ao mundo de insumos de todo tipo quanto teve a honra histórica de doar dois bilhões de doses de vacinas. A prática é o critério para verdade, já nos lembrava Mao Tsétung. A comunidade de destino compartilhado para a humanidade é uma prática política que a governança chinesa demonstra ser muito mais eficiente do que a hipocrisia imperialista em torno de palavras de ordem vazias e ocas”, afirma o professor.


Com informações da CNN

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