Federações, a pior hora

Por Domingos Leonelli, para Socialismo Criativo


A pior hora para discutir a federações é agora, na boca das definições para as eleições de 2022. O que poderia ser uma boa alternativa contra a proliferação de siglas partidárias de aluguel e as famigeradas coligações proporcionais que tanto prejudicaram a autenticidade e a representatividade politicas e eleitorais, tornou-se um mero substituto dessas coligações.

E, principalmente para a esquerda brasileira, a Federação poderia ser a configuração legal das sonhadas frentes de esquerda, frentes populares ou frentes progressistas que foram vitoriosas eleitoralmente e razoavelmente eficazes no exercício dos governos.


A formação de uma frente de partidos precisa ser estabelecida por uma negociação programática que defina a visão geral que os une. E que acolha de cada partido os pontos principais dos seus programas onde devem estar detalhados os elementos da visão geral.

Precisam ser negociados, delicada e minuciosamente, os mecanismos de decisão, a própria natureza da união e as formas de comunicação dessa frente partidária com a sociedade. Afinal presume-se que a Federação seja constituída para servir aos interesses dos contingentes sociais representados por ela.


É natural e, diria mesmo, inevitável que nessa frente se observem hegemonias ditadas pela dimensão dos partidos, pelos conteúdos programáticos e pela expressão politica e eleitoral de seus quadros individuais. Mas essa hegemonia precisa ser exercida com delicadeza, responsabilidade e alto espirito democrático. Nada que se assemelhe a chefia ou liderança autoritária.


A Federação abriria a possibilidade de positivos arranjos políticos e ideológicos entre os segmentos partidários possibilitando alianças, por exemplo, entres os setores mais à esquerda dos diversos partidos.


Contudo essa Federação precisa ser vista como um requisito estratégico para o exercício da politica no cotidiano e eventualmente para o exercício do governo. Nunca como uma concessão. Deve ter igual grau de interesse para todos os partidos componentes.


Uma construção como essa deveria se dar muito antes do lançamento de candidaturas aos governos dos estados, à Câmara Federal, ao Senado, às Assembleias Legislativas e mesmo da composição da chapa presidencial. Porém, o que temos hoje é uma decisão a ser tomada em meio a um turbilhão de fatores eleitorais em cada estado, com a benfazeja ascensão da candidatura de Lula a presidente, as justíssimas preocupações dos deputados federais com suas reeleições e das direções partidárias em aumentarem suas bancadas.


E temos um prazo muito curto para atender aos requisitos listados acima, para a construção de uma Federação. E que tipo de Federação teríamos. O ideal seria uma ampla frente com todos os partidos esquerda e centro-esquerda (PT, PSB, PCdoB, PDT, PV, PSOL). Mas essa esbarra na candidatura de Ciro Gomes do PDT. Na hipótese de uma Federação com menos partidos o PT teria dificuldades de deixar de exercer uma hegemonia mais forte o que talvez dificulte a formação da Federação.


Seria possível pensar-se também numa formação de esquerda que tivesse o PT como aliado, mas sem o compromisso orgânico de uma Federação. Essa formação talvez compensasse o obvio peso eleitoral do PT e teria peso na negociação em torno do programa de governo de um eventual novo governo de Lula. Enfim temos muito o que pensar.


Inteligências à obra.

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