Fausto diz que governo do Amazonas negou gravidade da crise


(Imagem: Socialismo Criativo)

Por Mariane Del Rei, Socialismo Criativo


O deputado estadual Fausto Junior (MDB-AM) afirmou que o governo do Amazonas negou a gravidade da pandemia no início deste ano. A declaração do parlamentar foi dada durante depoimento à CPI da Pandemia no Senado nesta terça-feira (29). O estado sofreu graves consequências nos primeiros meses de 2021 com o avanço da Covid-19 no país. A rede de saúde entrou em colapso e pessoas morreram nas filas de hospitais e unidades de saúde, sem acesso a oxigênio.


Ao ser questionado pelo relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), a respeito da revogação de um decreto que aplicava medidas de restrição para evitar o avanço do número de casos do coronavírus, o depoente respondeu que o Legislativo não foi consultado.

“O Legislativo não foi consultado. Essa foi uma decisão estritamente do governo do estado. É importante frisar que havia uma negação da urgência dos casos da pandemia naquele momento e o povo foi pego de surpresa. Isso que motivou a irritação das pessoas”. Fausto Junior

O parlamentar estadual compareceu à comissão do Senado na condição de testemunha. Junior atuou como relator da CPI da Saúde, realizada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, em 2020, para investigar indícios de corrupção durante a pandemia.


“Eu tenho convicção de que o governador [Wilson Lima] tinha conhecimento de tudo. Eu tenho essa convicção, mas eu preciso provar no meu relatório, a CPI [do Amazonas] precisa provar em seu relatório. Mas para provar isso, são necessários instrumentos que só a PF tinha, como interceptação telefônica”. Fausto Junior

Fausto troca farpas com Aziz na CPI

Fausto Junior trocou farpas com o presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), que já governou o Amazonas, em razão de questionamentos sobre o escopo de apuração da comissão instalada pela Assembleia Legislativa.


De acordo com o depoente, caso o atual governador, Wilson Lima (PSC-AM), fosse investigado pela CPI local, Aziz também deveria ser. A provocação deixou o senador visivelmente irritado.


Aziz: Quem faz o processo indenizatório não é o governador do estado, são as secretarias.

Fausto: Foi por isso que Vossa Excelência não foi indiciado.

Aziz: Não fui porque não tenho culpa, primeiramente.

Fausto: Nem o governador Wilson Lima

Escândalo dos ventiladores pulmonares

O foco da CPI da Saúde no Amazonas teve como objetivo investigar o chamado escândalo dos ventiladores pulmonares. O governo do estado pagou R$ 2,9 milhões para uma loja de vinhos na compra de 28 ventiladores pulmonares para tratar pacientes diagnosticados com o coronavírus.


O valor unitário dos equipamentos essenciais para manter diagnosticados com covid respirando equivalia a até quatro vezes o preço do aparelho visto em lojas no Brasil e no exterior.


Os equipamentos também foram considerados “inadequados” para pacientes de covid-19, segundo o Cremam (Conselho Regional de Medicina do Amazonas).

CPI consegue assinaturas para prorrogação

A CPI da Pandemia conseguiu nesta segunda-feira (28) as 27 assinaturas necessárias para a prorrogação dos trabalhos de investigação. O prazo inicial, de 90 dias, termina no início da agosto – em razão do recesso parlamentar – e deve se estender por mais 30, 60 ou 90 dias.


Segundo informações dadas pela CNN Brasil, os senadores, capitaneados pelo vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), já conseguiram o número mínimo de apoios para a continuidade dos trabalhos, mas ainda não definiram por quanto tempo as investigações prosseguirão.


A denúncia feita pelos irmãos Miranda – servidor Luis Ricardo Miranda e deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) – à CPI sobre o suposto esquema de corrupção montado no entorno da compra da vacina Covaxin pelo governo trouxe uma nova linha de investigação para os senadores.


O deputado afirmou em depoimento prestado na última sexta-feira (24) que, quando levou a Jair Bolsonaro (sem partido), em março, os indícios de corrupção da compra da Covaxin, o presidente afirmou que seria “coisa” do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

Omar Aziz apresentou nesta segunda um requerimento para a convocação de Barros. O pedido pode ser colocado em votação já nesta terça-feira (29).

“Se fosse por mim comprava só saco preto”

Para a dentista Andrea Barbosa, ex-esposa de Eduardo Pazuello, domingo passado (27) foi um dia muito pesado. Isso porque a coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, publicou que ela havia procurado a CPI da Pandemia para prestar depoimento. Após a notícia, Andrea afirma ter recebido muitas ameaças e mensagens. No entanto, ela nega que tenha entrado em contato com a comissão, pelo contrário, diz que foi procurada por uma assessora.

“Não quero minha vida exposta, não vou depor. Primeiro porque estou fragilizada, segundo, porque criaram um factoide de mim, da mulher vingativa e traída”. Andrea Barbosa

Andrea acredita que a CPI a procurou por causa dos prints de agosto do ano passado envolvendo Laura Appi, com quem supostamente, Pazuello teria um caso, e porque em uma das postagens em rede social ela disse que “sabia demais”.


Ela conta que ouviu “coisas bárbaras” na crise do oxigênio em Manaus, para onde ela se mudou maio do ano passado por causa do ex-marido, que em seguida foi assumir o ministério em Brasília. Entre as frases que ouviu, o ex-ministro teria dito: “Se fosse por mim comprava só saco preto”. “Minhas questões são pessoais, mas também são coletivas, vi o descaso com que ele tratou as pessoas”, afirma Andrea, que diz ser a favor da ciência.


Sobre a fala de Omar Aziz, presidente da CPI, que “não estavam atrás de informações da vida particular de ninguém”, Andrea responde: “Não vou depor numa CPI para um bando de homens misóginos, que vão querer me fritar porque sabem que sou de esquerda. Homem nenhum vai ter empatia, o foco é me desqualificar.” Andrea, no entanto, se colocou à disposição para depor em sigilo.

“Velho gordo, misógino e abusivo”, diz ex de Pazuello

Andrea tinha um relacionamento com Pazuello há 16 anos e tem uma filha de 13, mas desde agosto do ano passado está separada do general. Naquele mês, ela conta que recebeu prints de uma suposta jornalista, com fotos, que diziam que o ministro estava a traindo com a 1º tenente Laura Triba Appi, que é médica, e foi nomeada para o cargo de assessora da Secretaria-Executiva por Pazuello em maio do ano passado.


Segundo Andrea, na época ela se revoltou e postou tudo nas redes sociais. “Ele levou ela de Manaus, tenente do exército, e deu um cargo. Infectologista que acompanhava ele em todas as reuniões, e segundo os prints da jornalista que primeiro se colocou como fake, tinha uma relação com ele”, dispara. “Confirmo que ela é namorada dele, e além de receber pelo Exército recebe pelo cargo no ministério. E vai a todas as reuniões reverberando cloroquina e ivermectina.”


Para Andrea, Laura divulgou mais o tratamento sem eficácia do que a própria médica Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina”.

“Tenho pena dessa moça, quer alavancar a carreira dela, com um velho gordo, misógino e abusivo, coitada”. Andrea Barbosa

Ex-mulher de Pazuello é de esquerda

Segundo Andrea, após receber as fotos, ela foi questionar Pazuello e ouviu do ex-ministro que as pessoas iriam rir dela e foi chamada de “comunista e louca”. Andrea contou que sempre foi uma pessoa de esquerda.


“Sou eleitora do Rio de Janeiro há 23 anos e sempre fui à esquerda, sempre votei no Freixo, conheci Marielle, tenho a placa dela em casa”. Andrea Barbosa

De acordo com ela, Pazuello sempre fez “pouco caso”, brincava que a levaria para a Venezuela, até que surgiu Bolsonaro. “Ele me respeitava, até 2018. Daí comecei a ver o Eduardo muito arredio comigo, quando Bolsonaro se elegeu ele ficou extremamente reativo, não podia mais falar nada do Bolsonaro dentro de casa e a nossa relação já estava desgastada”, contou.


“Ele sempre soube de todo o meu posicionamento porque eu nunca escondi meu posicionamento político. Eu tinha uma vida normal, reservada e de repente o cara se torna ministro. Desde sempre fui hostilizada naquele meio, por ser de esquerda, por todo mundo, mas nunca deixei meus posicionamentos serem invalidados e silenciados por ele”. Andrea Barbosa

Abusos verbais, psicológicos e morais

Sobre o post nas redes sociais onde ela diz que sofreu abusos, Andrea conta que eram abusos morais e de palavras. “Os abusos que me refiro são abusos verbais, psicológicos, morais”, comenta.


Andrea ainda falou sobre ameaças que a filha do ex-casal sofreu após ganhar um número de celular do pai. Ela expôs isso nas redes sociais.

“É pesado demais, minha vida pessoal tem sido um pesadelo. As pessoas fazem trocadilho com o nome dele, mas a minha vida vem sendo um pesadelo há um ano e meio”. Andrea Barbosa

Ministro do STF suspende quebra de sigilo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kássio Nunes Marques, nomeado por Bolsonaro, derrubou, nesta segunda-feira (28), decisão da CPI da Pandemia de quebrar sigilos bancário, fiscal e telemático da Calia Y2 Propaganda e Marketing.


A agência tem contratos de publicidade com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). A decisão do ministro é liminar, de acordo com a Revista Veja.


A comissão pretendia ampliar investigações a respeito do financiamento de propagação de fake news relacionadas à pandemia do coronavírus, como o incentivo ao “tratamento precoce” para Covid-19 e, também, sobre as vacinas. As notícias falsas eram disseminadas por meio de disparos de conteúdo em massa e a contratação de influenciadores. Além da Calia Y2, as agências PPR e Artplan, também contratadas pela Secom, tiveram os sigilos quebrados pela CPI.


A Calia argumentou que a quebra dos sigilos extrapolou o âmbito dos contratos da empresa junto ao governo e poderia afetar contratos privados, tese aceita por Nunes Marques.

Planilhas

A agência havia enviado à comissão, no início da semana passada, um documento no qual anexou planilhas referentes aos pagamentos recebidos da gestão federal, que totalizam R$ 206,4 milhões líquidos, entre janeiro de 2019 e maio de 2021.


Além disso, destacou que seus negócios privados “não estão inseridos na finalidade da CPI, tendo os contratantes o direito constitucional à intimidade, que estaria em risco com a exposição que adviria dentro da CPI”.


Com informações do Uol e Revista Fórum

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