Ex-esquerdista, homem branco que destrói livros volta a presidir Fundação Palmares


(Imagem: Socialismo Criativo)

Por Plinio Teodoro

Afastado pela Justiça da gestão dos funcionários da Fundação Palmares por assédio moral, Sérgio Camargo Nascimento anunciou nesta quarta-feira (13) que vai recolocar na presidência da instituição o coordenador-geral do CNIRC – área de pesquisa e produção de cultura -, Marcos Frenette, o “homem branco que destrói livros”.


“Ele voltará! Marco Frenette, ‘o homem branco que destrói livros’, segundo a mídia esquerdopata, presidirá a Palmares nas minhas férias, a partir de amanhã”, tuitou Camargo.


A ironia do agora afastado presidente da Fundação Palmares tem origem em um artigo do Blog do Rovai na Fórum, que revela o passado “comunista” de Frenette, que na instituição tentou promover uma “queima” de pelo menos 5.300 livros, folhetos ou catálogos do acervo da Fundação por serem considerados, pela comissão analisadora, de caráter alheio ao escopo do órgão e apresentarem ideologia marxista.


Entre os livros encontravam-se obras como o Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo, e de Machado de Assis, porque, segundo o relatório, estariam “gramatical e ortograficamente desatualizados e com folhas soltas exibindo um forte cheiro de mofo”. Por medo da justiça, Camargo voltou atrás e desistiu de retirar as publicações do acervo.


Esta é a segunda vez que Frenette vai assumir a presidência da Fundação Palmares. Na primeira vez, ele ocupou o posto em junho deste ano durante as férias de Sérgio Camargo.

Passado “comunista”

Ex-editor da Caros Amigos, Frenette colaborou com artigos por anos em publicações ligadas ao Sindicato dos Bancários, na Central Única dos Trabalhadores (CUT).


Quando trabalhou na Caros Amigos, Frenette não era de extrema-direita. Ao contrário, se comportava como humanista e priorizava em suas reportagens e artigos questões da periferia e do combate à violência policial. Em texto de 1998, na edição número 12 de Caros Amigos ele fala sobre a banda Racionais MC.

“Pela primeira vez na história da música popular brasileira, temos à nossa disposição uma obra musical que realmente retrata, de A a Z, as agruras e sofrimentos que todo jovem pobre de periferia conhece de cor e salteado: a violência policial temperada com o preconceito racial, o som nervoso dos tiroteios noturnos entre traficantes, a banalidade do mal presente nos acertos de conta, a destruição dos jovens pelas drogas, a decadência de meninas que até ontem brincavam com bonecas e hoje são prostitutas mirins, a visão de mães angustiadas imaginando o maldito dia em que correrão para a rua e chorarão em cima de seus filhos tombados à bala.” Marcos Frenette

Além de trabalhar na Caros Amigos por muitos anos, Frenette também colaborou em algumas edições impressas da Revista Fórum e lançou pela editora Publisher Brasil, que edita a revista, dois livros: “Preto e Branco, a importância da cor da pele”, obra que o colocou em evidência no debate sobre a questão racial, e “Os Caiçaras Contam”, uma grande reportagem a partir de entrevistas com antigos moradores de Ubatuba que narram como foram sendo retirados de suas terras por conta da grilagem e da especulação imobiliária.

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