ETs e a disputa pela hegemonia geopolítica na Era da Informação


Imagem: Divulgação

Por Iara Vidal, Socialismo Criativo


Se existe ou não ETs e vida inteligente fora do planeta Terra, apenas provas materiais podem confirmar. A primeira temporada da série documental em seis episódios na Netflix, Top Secret: OVNIS, relata que há muitos anos, as histórias de contatos extraterrestres são desmentidas. Porém, muitos acreditam que a existência de objetos voadores não identificados não só é provável, como também real.


A despeito da veracidade dos relatos coletados pelos produtores do documentário, um dos aspectos mais curiosos da série está centrado na nova corrida pela hegemonia geopolítica a partir do domínio de tecnologias de ponta, entre elas a Big Data e a 5G, por exemplo.


Se há engenharia reversa aplicada a artefatos extraterrestres, não há, por ora, como provar. O que não tem como negar é o avanço tecnológico assombroso que a humanidade alcançou nas últimas duas décadas.


Embora os relatos da série estejam focados na comunidade de ufologistas estadunidenses, são feitas comparações de como o tema é tratado por outros países. Como a Rússia, que herdou o arcabouço da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e emula o comportamento de impor sigilo adotado pelos EUA.


Já a China, avaliam os especialistas ouvidos pela série documental, adota uma postura diametralmente oposta à dos russos e dos estadunidenses. Representantes da comunidade de ufologistas destacam que o governo comunista da República Popular da China estimula e incentiva a troca de conhecimentos acerca do polêmico tema.


A avaliação sobre a tática chinesa para a Era da Informação está em sintonia com a que faz Elias Jabbour, especialista no processo de desenvolvimento recente do gigante asiático.

“A China é uma sociedade guiada pela ciência, ao contrário do capitalismo mundial, que é pura irracionalidade. A forma histórica com a qual o socialismo se apresenta ao mundo hoje é a da transformação da razão em instrumento de governo”, afirmou em live do ciclo ‘Revolução Brasileira no século 21’ promovida pelo Socialismo Criativo.


Se há ou não ETs conduzindo a humanidade para novas fronteiras do conhecimento, isso pouco importa. O que chama a atenção é que nessa corrida pela hegemonia geopolítica que tem no desenvolvimento de tecnologias de ponta a nova força do mundo, a China conseguiu elevar a capacidade de planejar a própria economia.


Jabbour elenca duas ocorrências nesse fenômeno de desenvolvimento chinês. A primeira é a capacidade de previsão de futuro em um ambiente econômico muito instável do ponto de vista internacional.


“A financeirização aumenta a instabilidade financeira econômica do mundo e as crises econômicas são cada vez mais curtas entre um período e outro. A China consegue criar condições de previsibilidade muito grandes para enfrentar essas instabilidades internacionais”, avalia Jabbour.


A segunda ocorrência, na análise do professor, é a enorme capacidade chinesa de intervir sobre o território, como nem a URSS no seu tempo mais duro foi capaz de fazer. Ele explica que quando o domínio do homem sobre a natureza é ampliado, como no caso da China, não é mais possível analisar esse país a partir de marcos conceituais criados há 40 anos, 50 anos. Surgem novos desafios, novas necessidades e novas regularidades a serem descobertas e classificadas.


Nos Estados Unidos, ao contrário, o controle dos avanços tecnológicos e do conhecimento, com ou sem participação extraterrestre, estão centrados na iniciativa privada e em seu opaco e poderoso complexo militar-industrial. Tema que foi tratado pelo presidente Dwight D. Eisenhower em seu famoso discurso de despedida no qual fez advertências sobre a influência crescente desse poder supremo na sociedade estadunidense.


Confira neste vídeo abaixo, em inglês, a fala do 34º presidente dos Estados Unidos de 1953 até 1961. Antes disso, ele foi um general de cinco estrelas do Exército. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu como o Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa.


A série documental tem potência para reavivar conspirações governamentais para acobertar evidências da presença de alienígenas na Terra. Lançada no dia 3 de agosto, inicia uma nova onda de interesse em torno do tema, à semelhança dos anos 90, um dos períodos mais férteis para o assunto.


É dessa época uma leva considerável de produções que atiçaram o imaginário popular a respeito do tema, como o filme ‘Contato’ (1997) ou a minissérie ‘Intruders’ (1992). E, claro, ‘Arquivo X’ (1993) também merece menção, já que a trama era carregada de conspirações governamentais para acobertar a existência de aliens.


Uma peça importante para reavivar o interesse em torno dessa questão surgiu no dia 25 de junho, quando o Departamento de Defesa (DoD) dos Estados Unidos divulgou um relatório sobre objetos voadores não identificados (OVNIs).

Confira o trailler da série:



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