Entrevista: Pablo Feitosa, secretário da Negritude Socialista do PSB-DF



Nas sextas ele usa branco em respeito à sua crença e, nesse dia especial para as religiões de matriz africana, quem está na nossa série de entrevistas com os secretários dos segmentos do PSB-DF é Pablo Feitosa, da Negritude Socialista Brasileira do PSB-DF.

Pablo é empresário e produtor cultural e, se você não o reconhece, com certeza já se divertiu em algum evento em que ele ajudou a acontecer. De rodas de samba, passando por apresentações de capoeira, até o tradicional bloco de pré-carnaval, Suvaco da Asa, o socialista trouxe de sua terra, Recife, a agitação do frevo Pernambucano para o quadradinho.

Filiado ao PSB desde 2008, Pablo iniciou a militância pelas pautas da negritude na NSB e, desde então, participa de mobilizações e articulações dentro e fora do Congresso Nacional. Ele também colaborou com a gestão de Rodrigo Rollemberg e foi membro do atual Conselho de Promoção de Igualdade Racial do DF. PSB-DF: Como você chegou ao PSB?

Pablo: A decisão de vir para o PSB veio através de amigos que insistiam e apoiavam meu nome para candidato a deputado pelo setor cultural apoiado pelo movimento de donos de bares e restaurantes. Além dos amigos, como bom pernambucano, sempre fui Arraes (político socialista de PE, Miguel Arraes) em todas as campanhas que pude acompanhar. Arraes é uma inspiração política pra mim e foi o que me fez decidir pelo PSB.


PSB-DF: Sobre a gestão PSB no governo de Brasília com a eleição de Rodrigo Rollemberg, quais avanços/medidas relativas à negritude você destacaria?

Pablo: A criação da Decrin, delegacia especializada em crimes raciais e outros), pois além de ser um equipamento efetivo de enfrentamento ao racismo no DF, simbolicamente essa delegacia também mostrou que o nosso governo era atento às pautas raciais e estava trabalhando para gerar transformações sociais profundas. Também destaco o Programa de Afro-Empreendedorismo, coordenado pela Subsecretaria de Igualdade Racial, outra medida de Estado que impactou diretamente diversas pessoas com a consolidação da rede de afroempreendedores, diversas formações e, principalmente, a abertura da linha de crédito para estes profissionais.


PSB-DF: E quais ainda são os principais desafios para a população negra do Distrito Federal?

Pablo: São vários, mas vou destacar aqui a luta contra o racismo institucional e o acesso a linhas de crédito desenvolvidas especialmente para empresários negros, que observe as nossas especificidades e não os chamados microcréditos.


PSB-DF: Pensa em se candidatar? Ou observa no segmento alguma potencial candidatura já se construindo?

Pablo: Particularmente, neste momento, não penso mais. Porém, na NSB temos outros bons nomes e com certeza teremos representação negra na nominata do partido como candidata ou candidato a deputada (o) distrital.


PSB-DF: Atualmente, o PSB trabalha na sua "Autorreforma". Se houverem, quais mudanças neste programa serão mais significativas para a população negra? Pensa em sugerir alguma mudança ou acrescentar algo?

Pablo: A Autorreforma é um movimento muito positivo do partido, que se mostra pioneiro entre as legendas do país em se reciclar observando as mudanças sociais, políticas e econômicas que ocorreram nas últimas décadas e nos últimos anos. Como um projeto ainda em andamento, digo que a as questões raciais ainda estão colocadas de forma pouco clara, sem compromissos efetivos com as pautas da negritude em temas como economia, saúde, educação e outros. Não podemos ficar apenas nos assuntos gerais, mas devemos tratar do tema com a mesma "firmeza" que usamos nos outros. Se ao falar de reforma política o PSB afirma na tese 29 que "É necessário adotar o fim das reeleições dos cargos executivos cujos mandatos deverão ter duração de cinco anos", por que no eixo da igualdade racial não há propostas concretas para acabar com o genocídio da juventude negra nas periferias, por exemplo? Ou uma indicação que o PSB é um partido que é contra a redução da maioridade penal, que atinge unicamente crianças e adolescentes periféricos, em sua maioria negros? Como disse, ainda temos ajustes a fazer, mas por enquanto só temos um levantamento de dados, nenhuma afirmação e nenhum compromisso.


A Secretaria Nacional da NSB tem realizado uma série de debates para levantar teses que representem, verdadeiramente, os nossos anseios enquanto militantes e enquanto representantes qualificados da sociedade civil organizada, porém, sinto falta de negros e mulheres na comissão da Autorreforma, a representatividade dessas populações na sociedade é muito grande e não deveria ter sido ignorada pelo partido nesse momento tão importante.

PSB-DF: Qual mensagem, convite, pensamento, gostaria de deixar para as pessoas que estão querendo participar mais ativamente da política e lutar pelos direitos da população negra em um partido político?

Pablo: Tudo o que você come, a educação de seu filho, a segurança na sua cidade, a mobilidade, a cultura.... etc., derivam de decisões políticas. A política está em sua vida, se você não à faz, alguém irá fazer por você. Por isso sempre digo, quer lutar por algo, lute dentro de uma instância partidária, isso faz uma grande diferença!


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