Entrevista: Acilino Ribeiro, Movimento Popular Socialista do PSB-DF




Em uma uma recente live, o ex-governador e dirigente socialista, Rodrigo Rollemberg, afirmou que o entusiasmo é algo fundamental para a militância política, pois, é ele quem anima as pessoas a irem às ruas, a estarem perto das pessoas e a realizarem grandes transformações.


Isso explica muito da energia do último entrevistado da série com os secretários dos segmentos sociais do PSB-DF. Acilino Ribeiro não dispensa apresentações. Cada encontro com o comandante do Movimento Popular Socialista (MPS) do PSB-DF deve ser encarado como o primeiro, afinal, são tantas histórias, lutas e "causos" que a pergunta é: como alguém consegue viver tanta coisa em uma vida só? A resposta é simples, Acilino já acumula 52 anos de militância. Nesse período, se formou politicamente lendo livros clandestinos para driblar a ditadura, quase foi assassinado na sua época de guerrilheiro, se tornou agente infiltrado, se juntou à forças revolucionárias fora do país, foi vereador e muito, muito mais.


Entre as suas ocupações atuais, além de comandar o MPS no DF ele também é secretário nacional do segmento e membro da Comissão Executiva Nacional do PSB. Atua como professor universitário e advogado de movimentos sociais e já tem dez livros publicados, com temas ligados à História Política, em Relações Internacionais, em Direito Internacional, em Economia Internacional, em Inteligência e Contra Inteligência e Estudos Diplomáticos e Relações Internacionais.


Nessa entrevista, ele fala sobre sua história no PSB e como gestor público, além de quais seus planos eleitorais e da Autorreforma.


PSB-DF: Como você chegou ao PSB?

Acilino: Eu já simpatizava com o PSB. Após o fim da ditadura, pensei em me filiar no partido quando Arraes o fez, mas eu estava no PCB e fui vereador pelo partidão e terminei não saindo. Foi quando o PCB quis romper com o governo Lula dois anos após termos elegido ele e fiquei um bom tempo sem partido. Então vim para Brasília e aqui encontrei Carlos Siqueira no lançamento de um livro e começamos a conversar até que, após um certo tempo e sabendo que alguns companheiros de luta estavam no PSB, decidi por me filiar. No PSB encontrei também outros companheiros que me convidaram como Carlos Eugênio Paz, o Comandante Clemente, isso pesou na minha decisão. As conversas e a liderança de Carlos Siqueira e Eduardo Campos, além do respeito e da admiração que sempre tive pôr Miguel Arraes que conheci na Argélia quando ele ainda estava exilado.


PSB-DF: Sobre a gestão PSB no governo de Brasília com a eleição de Rodrigo Rollemberg, quais avanços/medidas relativas aos movimentos populares você destacaria?

Acilino: Eu fui Subsecretário de Estado dos Movimentos Sociais e Participação Popular do GDF na gestão Rollemberg. Acredito que foi onde o respeito e a influência dos movimentos sociais mais floresceu. E no que pese a tradição existente de uma repressão bruta por parte das forças policias no DF, no governo Rollemberg isso não existiu. Prezamos pelo diálogo e a negociação, além do fortalecimento do movimento popular. Como responsável pela pasta e ser o negociador do governo acredito eu tenha exercido meu papel e ajudado na construção de um projeto que se constituiu numa referência nacional.


PSB-DF: E quais ainda são os principais desafios para os movimentos populares do Distrito Federal?

Acilino: Primeiro preservar as conquistas que obtiveram no governo Rollemberg e segundo, considerando que tal qual findou o governo e começou uma conjuntura completamente nova, com um governo de extrema-direita, repressivo, antidemocrático, genocida e terrorista como é o governo Bolsonaro, o movimento popular tem que buscar a unidade na luta sem deixar que o sectarismo e o esquerdismo, ambos condenados pelos grandes líderes da esquerda como Lenin, Che, Mao e outros, venha a contaminar a luta. Tem que buscar construir a unidade e suas lideranças serem implacáveis na luta e misericordiosos na vitória. Lutarem sem ódio e sem medo, pois numa conjuntura de ódio e repressão como a atual, com um governo terrorista e genocida e um Estado Policial, que tem milícias e é aliado de narcotraficantes e grileiros, lutar com amor a causa é um ato revolucionário.


PSB-DF: Pensa em se candidatar? Ou observa no segmento alguma potencial candidatura já se construindo?

Acilino: Eu particularmente não tenho nenhuma pretensão de me candidatar a nada mais. Acho que já fui candidato a tudo, só faltou me candidatar a Presidente da República e a Papa. Fui candidato para me eleger e me elegi e fui candidato para ajudar o partido e ajudei. Mas acho que isso deve ficar para os mais jovens agora. Penso em levar adiante meus projetos acadêmicos como escrever e dirigir alguns filmes e documentários como historiador, cineasta e documentarista que sou. Também quero me dedicar a palestras e conferências. Por fim, quero terminar mais um livro que estou escrevendo e pretendo ainda escrever outros. Porém, não digo que fugirei a qualquer missão que o partido me der. Se por acaso houver necessidade de uma candidatura posso pensar nisso.


Quanto ao MPS a estratégia que estamos traçando para o segmento em 2022 é de que lançarmos um candidato ou candidata Deputado ou Deputada Federal e dois a estadual/distrital, sendo uma candidatura a deputada e outra a deputado.

PSB-DF: Atualmente, o PSB trabalha na sua "Autorreforma". Se houverem, quais mudanças neste programa serão mais significativas para os movimentos populares? Pensa em sugerir alguma mudança ou acrescentar algo?

Acilino: Penso uma Autorreforma como uma necessária Revolução Cultural das Bases Partidárias do PSB. Para isso o MPS foi o primeiro setor do partido que assumiu essa tarefa de levar adiante essa proposta quando o presidente Carlos Siqueira lançou a ideia. Realizamos vinte e sete Plenárias estaduais e uma no Distrito Federal, quatro Plenárias regionais e duas nacionais, sendo uma primeira de abertura do processo e orientação sobre a Autorreforma e outra de Sistematização das Teses propostas e sugestões levantadas. Isso está exposto em três livros que o MPS fez e lançará dentro de no máximo trinta dias, intitulado: - Do partido que temos para o partido que queremos - ;


Porém, esse documento, não é um trabalho acabado ou uma tese acadêmica para ser implementada como verdade absoluta. Mas uma compilação de ideias e propostas da militância do MPS – Movimento Popular Socialista, para o PSB debater, deliberar e implementar, com suas devidas alterações que achar necessário em dois pontos básicos de sua Autorreforma:


Primeiro como uma contribuição ao fortalecimento e completa reforma pelo qual devem passar os Segmentos Sociais do partido, alguns sim outros ainda não nos seus três níveis de organização, nacional, estadual e municipal, estagnados em seu crescimento, isolados em suas ações e equivocados em suas posições políticas ideológicas. Deixando-se dominar pela burocracia partidária e não tendo qualquer inserção junto as massas. Falando pra si e suas lideranças temerosas de perderem espaços que nunca conquistaram e só existe na cabeça de alguns dirigentes que querem manter o status do cargo que ocupam. De uma ponta a outra do país. Em todos os níveis e em todos os segmentos. Com raras exceções de alguns dirigentes nacionais que buscam fortalecer seu segmento e outros que acham que não deve se preocupar com os demais. Neste trabalho nossa proposta busca a necessidade da integração entre os segmentos e a necessidade de se auto reformarem.


Segundo como uma colaboração as alternativas a serem criadas ao próprio partido pela Autorreforma em si e um complemento teórico aos textos já debatidos buscando sair da linha eleitoral fim, do institucionalismo de resultado que as vezes as bancadas parlamentares o levam e terminam por obrigá-lo a tomar posições políticas muitas vezes equivocadas - -- - como foi o caso do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff quando, salvo as exceções conhecidas, a maioria de seus parlamentares preferiu o adesismo fácil do toma lá dá cá ao combate glorioso e da derrota honrada -, tendo como consequência o partido precisando reagir de forma correta com a expulsão de alguns parlamentares que votaram com o governo nas reformas trabalhista e previdenciária.


Por outro lado, a militância do MPS vê com bons olhos a proposta apresentada pelo presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, de fazer essa Autorreforma, e acredita nela como uma saída para o crescimento qualitativo e o fortalecimento do PSB tanto a nível ideológico, como político, partidário e eleitoral. Transformando-se num partido de quadros e de massa, nas ruas e nas redes. Desde que de forma democrática e participativa as propostas sejam debatidas, deliberadas e encaminhadas até suas instâncias máximas, pois assim como tem aqueles que querem renovar o partido e transformá-lo numa alternativa para o povo brasileiro, tem também aqueles que não querem mudar nada. São aqueles que chamamos de matriculados, que usam o partido para seus interesses e não abraçam as causas partidárias. Permanecem no partido no máximo quatro anos e a cada eleição ficam procurando benesses e ainda saem falando do partido. É onde entendemos que ali está e se configura a luta de classes e ideológica que se transforma em motor das mudanças partidárias e na qual somente os verdadeiros filiados militantes e combativos companheiros sairão vitoriosos. No embate político ideológico que agora nasce e dele surgirá esse novo PSB. Com uma base revolucionária e uma direção progressista em todos os sentidos e níveis, social e territorial.


PSB-DF: Qual mensagem, convite, pensamento, gostaria de deixar para as pessoas que estão querendo participar mais ativamente da política e lutar também em um partido político? Por que escolher o PSB-DF?

Acilino: Os partidos políticos são a espinha dorsal da democracia. Sem eles não existe regime democrático nem Estado Democrático. Como também, sem ideologia, organização e objetivo você não conseguirá nortear qualquer ação, pois como se vê logo que entramos na universidade e na primeira aula de Sociologia, temos que ter Ideologia, Organização e Projeto. A ideologia que vai nortear nossa luta, enquanto as nossas ações irão fortalecer o partido e nos levar a uma maior participação popular que essa sim, construirá os objetivos que queremos alcançar. Ora, sem isso não existe democracia.


Portanto minha mensagem é que todo ser humano tenha um objetivo na vida, busque se socializar e construa coletivamente uma organização popular, norteado por uma ideologia que defenda os direitos humanos, luta pela paz mundial, defesa o meio ambiente, das liberdades democráticas e da solidariedade internacional. Que proteja a pátria contra os entreguistas e imperialistas e sonhe com a utopia revolucionária, que é a construção de um mundo justo e igualitário, sem guerras sem fome e sem miséria. Esses são os objetivos de um revolucionário. Esta deve ser a prática de um militante. Para isso é preciso estudar e se formar politicamente, se transformar num quadro partidário, político e de Estado, mas principalmente um quadro partidário que entenda e estude os problemas do povo e busque nele a solução de tudo. É preferível errar com o povo do que acertar sem ele, pois lá na frente vai ver que errou se não se submeter a vontade popular.


E repito: lutar sem ódio e sem medo, sabendo que existem dois tipos de políticos: o ideológico e o fisiológico; o progressista e o conservador; o revolucionário e o reacionário, aquele que luta por uma causa e o que briga por seus próprios interesses. E nós do PSB devemos ser militantes ideológicos, progressistas, revolucionários e lutar pelas causas partidárias. È preciso acreditar nos sonhos e lutar por eles. Vamos em frente. É essa a mensagem que quero deixar.

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