Denúncia de corrupção abala e causa instabilidade na ala bolsonarista


(Imagem: Socialismo Criativo)

Por Tainã Gomes de Matos, Socialismo Criativo


A reação dos bolsonaristas às denúncias de corrupção envolvendo o governo dizem muito sobre a realidade por trás da bolha presidencial. O combate à corrupção sempre foi uma bandeira defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores. No entanto, o discurso começa a ser desmascarado por fatos novos que estão vindo à tona e sendo investigados na CPI da Pandemia no Senado.


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O pedido de propina para compra de vacinas por parte do governo foi revelado na noite de segunda-feira (29). O diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, pediu propina de US$ 1 por dose da vacina AstraZeneca para fechar contrato. A informação foi passada pelo representante de uma vendedora de vacinas à Folha.

Apelo às forças divinas

A notícia abalou a ala governista e rendeu declarações desesperadas nas redes sociais. Fiel escudeira do presidente, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) se manifestou pelo Twitter logo após saber da denúncia. Visivelmente abalada, ela desabafou e pediu para que os brasileiros rezem pelo governo.

“Eu peço oração. Porque quem sabe Deus possa nos ajudar. Quem sabe Deus possa indicar um caminho? Porque tem hora que é difícil. A gente olha e não enxerga um caminho. Mas a gente olha para cima e diz: ‘meu Deus, por favor me dê forças para seguir só mais um dia’” Carla Zambelli

A bolha

Ao longo do vídeo, Carla Zambelli admite que os apoiadores do presidente formam um grupo homogêneo. “Somos uma bolha, acreditamos no presidente” e completou dizendo que precisava ampliar o alcance das informações para a militância pró governo.


Logo em seguida ela continua dando demonstrações de insegurança e de incerteza e chega a ficar emocionada diante da situação. “Eu sou anormal e não estou atingindo as pessoas normais ou eu sou normal e não estou atingindo as pessoas anormais?”, questionou.

Combate à corrupção #sqn

Em entrevista à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, na manhã desta quarta, a deputada afirmou: “pode ter havido um pedido de propina? Sim. Mas não será acobertado”.


Zambelli completou dizendo que “no dia em que o presidente roubar, eu vou abandonar ele. Agora, se houve propina dentro do governo, isso será investigado e condenado. Não tenho dúvida disso”.


A declaração pode ser entendida como uma possível confissão de irregularidades e que a bandeira anticorrupção e o discurso de governo probo e honesto já não tem como ser sustentados.

Bolsonaristas abandonam o barco?

O deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS), um dos mais fiéis ao presidente, admitiu indiretamente que a acusação do empresário pode fazer sentido.


Ao comentar o caso no Twitter, Bibo disse “uma pessoa pode até ser, mas um governo é ridículo demais”, escreveu. Embora diga que seria no máximo ato isolado de um servidor, e não da administração federal, o simples fato de considerar a hipótese mostra uma mudança de discurso.


Janaina Paschoal (PSL-SP), deputada estadual que vem tentando fazer as pazes com a ala governista depois de ter passeado e terreno rival pediu para que o presidente tome as medidas cabíveis. “Presidente, manda apurar e afasta quem deve ser afastado! Há situações que necessitam ser enfrentadas rapidamente. Não adianta aguardar. Ninguém vai resolver!”, postou.


Diante dos novos fatos, há possibilidade da direita contrária a Bolsonaro engrosse o coro nas manifestação que está sendo programada para o sábado (3). O coordenador nacional do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos, se manifestou também pelas redes sociais e sobre o esquema de vacinoduto.


“Tudo se encaminha para um gigantesco esquema de roubo de vacina. Não dá para não ir pra rua”, disse ele, ressalvando que era uma posição pessoal.


O último a sair apaga a luz

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) abriu mão, nesta quarta-feira (30), de defender o governo Jair Bolsonaro, que enfrenta cada vez mais denúncias de corrupção envolvendo a tentativa de importação da vacina indiana Covaxin.


“Na administração pública nenhum contrato deve ser firmado às pressas. Vamos investigar tudo. Não blindo quem rouba dinheiro público. Defendo investigar tudo, seja no Ministério da Saúde, seja no Consórcio Nordeste. Não tenho bandido preferido”, afirmou o parlamentar.


O Youtuber Felipe Neto notou a ausência do presidente da Câmara o deputado Artur Lira (PP-AL), único que pode dar andamento ao pedido de impeachment, após os escândalos de corrupção envolvendo as vacinas no Brasil.


Diante do surgimento de mais denúncias, o governo Bolsonaro vai desmoronando e perdendo força. Enquanto isso, a oposição articula para uma grande frente contra o autoritarismo e a recuperação da democracia no país. Os parlamentares entregaram na tarde desta quarta, um ‘Superpedido de Impeachment’ de Jair Bolsonaro.


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