CPI tem provas contra Helcio Bruno de Almeida no caso Covaxin


(Imagem: Reprodução)

Por Iara Vidal, Socialismo Criativo


A CPI da Pandemia no Senado ouviu por mais de sete horas, nesta terça-feira (10), Helcio Bruno de Almeida. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou que já está em poder do colegiado cópia de documento que comprova a participação do tenente-coronel da reserva e presidente do Instituto Força Brasil (IFB) como lobista na intermediação entre a empresa Davati e o Ministério da Saúde para eventual compra de vacinas anticovid.


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Helcio limitou-se a dizer que sua atividade profissional é a de “consultor operacional”. O depoente fez poucos comentários sobre entidades como Árvore da Vida e Igreja Local, das quais já fez parte.


O senador avalia que há indícios de que Helcio seria o responsável pela intermediação entre um “grupo de estelionatários” e o Ministério da Saúde, e que o depoente ficou em silêncio após a maioria das perguntas dos senadores porque “não pode se explicar”. “O documento que comprova a atuação direta do coronel Helcio Almeida nessa negociação com a Davati já está em posse da CPI e eu tenho certeza que o indiciamento vai se impor”, disse Alessandro.


A CPI ouve nesta quarta-feira (11) o diretor-executivo da farmacêutica Vitamedic, Jailton Batista. Ele deve falar sobre as vendas do “kit covid”, um conjunto de medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus. O depoimento está marcado para as 9h30.

Zenaide lamentou a recusa de Helcio de responder as perguntas

Antes do encerramento, a senadora Zenaide Maia (Pros-RN) lamentou a recusa do depoente em responder as perguntas, mas advertiu “quem cala, consente”. Para a senadora, o coronel Helcio Bruno, com seu silêncio, está afirmando que o que foi dito na CPI é verdadeiro.

Helcio Bruno ficou calado na maioria das perguntas

Helcio Bruno de Almeida recusou-se a responder à maioria das perguntas feitas pelos senadores Rogério Carvalho (PT-SE) e Soraya Thronicke (PSL-MS).


O senador afirmou que o Força Brasil, instituto do depoente, era especializado em espalhar fake news antivacina e pró-tratamento precoce.


Para a senadora, Helcio deixou de responder sobre assuntos que não o incriminariam e poderia ter contribuído mais com a CPI.


Soraya Thronicke também fez uma defesa dos trabalhos da CPI da Pandemia e informou que a comissão já recebeu milhares de documentos de todo o país.


Ela sugeriu que os senadores governistas analisem os documentos referentes a seus respectivos estados, pois deverão encontrar documentos importantes para as investigações.

Marcos Rogério afirma que a CPI não está aprofundando as investigações

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) disse que não é contra investigar suspeitas de corrupção, mas que os depoimentos “em nada estão contribuindo”. Para o senador, a CPI não consegue apurar uma única prova de corrupção no governo e não está aprofundando as investigações.


“Eu não faço defesa personalíssima de quem quer que seja. E nesse caso aqui envolvendo o Dominguetti, o Cristiano e essa patota toda, me parece fazer parte de uma grande organização criminosa”, afirmou Rogério.

Randolfe questiona patrocínio para o Verdade dos Fatos

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) questionou o depoente quanto a uma declaração de Otávio Fakhoury, vice-presidente do Instituto Força Brasil (IFB), que afirmou que patrocinava projetos na área digital entre eles o “Verdade dos Fatos”.


— Eu desconheço se esse patrocínio não seja apenas um espaço para que ele [Otávio] se manifeste — afirmou Helcio, em resposta a Randolfe.

Braga vê falta de transparência no financiamento do Força Brasil

Ao receber poucas respostas do depoente, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) afirmou que o instituto Força Brasil, de Helcio Bruno de Almeida, não é transparente e que não há como saber como o instituto é financiado. Helcio permaneceu em silêncio em sete perguntas de Braga, relacionadas, principalmente, à empresa Davati. Em uma de suas poucas respostas, Helcio afirmou que o Força Brasil “não recebeu jamais recursos do governo federal ou do poder público e depende das contribuições dos membros”. O senador criticou o silêncio reiterado do depoente e questionou a lisura do instituto. — Tem dinheiro e tem dinheiro alto aqui neste Instituto, e o senhor não diz de onde vem. Se não é do governo federal, vem de quem? Para o senador, o depoente também deixou claro que participou da intermediação na tentativa de venda de vacinas com a empresa Davati para o Ministério da Saúde.

Simone pede retirada de injúrias de site do Força Brasil

Presidente da ONG Instituto Força Brasil, Helcio Bruno admitiu ter responsabilidade pelo conteúdo publicado no site da organização. Além de conteúdos negacionistas, o site também publicou notícias classificando membros da CPI como “picaretas”. Simone Tebet afirmou que trata-se de um caso de injúria e pediu a retirada do conteúdo.


Com informações da Agência Senado

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