Covid-19: Brasil tem mais de 373 mil mortes e crescem casos entre jovens


Brasil tem mais de 373 mil mortes e crescem casos entre jovens - (Imagem: Michael Dantas / AFP)

Por Iara Vidal, Socialismo Criativo


O Brasil registrou 1.553 mortes em 24 horas pela Covid-19 neste domingo (18) e totalizou 373.442 óbitos desde o início da pandemia. Embora o número de mortes pela doença esteja estabilizado em um elevado patamar, especialistas alertam que o perfil das pessoas acometidas pelo coronavírus mudou e que não são mais os idosos que integram o grupo de risco, mas pessoas com até 40 anos.


Com o balanço deste domingo, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias chegou a 2.878. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +7%, indicando tendência de estabilidade nos óbitos decorrentes da doença. Já são 88 dias seguidos no Brasil com a média móvel de mortes acima da marca de mil; o país completa agora 33 dias com essa média acima dos 2 mil mortos por dia. Nos últimos 23 dias, a média esteve acima da marca de 2,5 mil.


Os números sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil são do levantamento do consórcio de veículos de imprensa consolidados às 20h. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.


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Jovens são as principais vítimas da Covid-19

Se na primeira onda de Covid-19 os idosos eram considerados o grupo de risco, após um ano de pandemia, o perfil mudou. Um levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) mostrou que, em março, 52% das internações nas unidades de terapia intensiva foram de pessoas com até 40 anos.


Segundo três especialistas ouvidas pelo G1, no atual cenário da pandemia no Brasil, é correto falar que não temos mais grupos de risco para a doença, mas sim comportamento de risco.


Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) explica que em termos de adoecimento não existe mais grupo de risco.

“Hoje vemos um maior número de pessoas abaixo de 60, de 50 anos, sendo internadas. Isso ocorre muito por causa da exposição maior, quer seja para trabalho, quer seja nas reuniões e encontros.” Raquel Stucchi, Unicamp e SBI

A epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Ethel Maciel, reforça que todos estão em risco.

“Precisamos comunicar essa mudança no perfil dos pacientes com Covid-19. Com as novas variantes, os jovens estão adoecendo mais, estão internando mais, com a forma mais grave da doença, mesmo sem comorbidades.” Ethel Maciel, epidemiologista

A infectologista do Hospital Emílio Ribas, Rosana Ritchmann, conta que, atualmente, atender pacientes com mais de 75 anos (grupo que já foi vacinado contra a Covid-19 no Brasil) é mais raro.

“Houve uma mudança muito grande na faixa etária. Hoje é exceção à regra eu atender pacientes acima de 75 anos. Os casos ainda existem, mas a imensa maioria dos pacientes dessa faixa acaba pegando a doença entre as doses de vacina”. Rosana Ritchmann, Hospital Emílio Ribas

Novas variantes mudaram perfil dos pacientes

As especialistas explicam que as novas variantes promoveram uma mudança no perfil dos acometidos pela Covid-19. “Quando começaram a falar da variante na Inglaterra, eles notaram uma diferença no perfil. Pessoas mais jovens, inclusive crianças, adoecendo. Não tínhamos visto isso num primeiro momento”, diz Maciel.


Outros fatores podem ter colaborado para essa mudança, como o comportamento dos jovens na pandemia. “A variante pode ter sido um fator, mas quem está em contato com outras pessoas? Quem está no transporte público? Quem está trabalhando? Quem está indo para festas clandestinas? O jovem!”, alerta Richtmann.


A vacinação também pode ter ajudado para a alteração na faixa etária. Dados da Amib mostram que apenas 7% dos pacientes com Covid nas UTIs brasileiras em março tinham mais de 80 anos – uma queda de 42% na comparação com o acumulado dos três meses anteriores.


“Houve uma redução significativa na mortalidade nos idosos, principalmente nos que já completaram o esquema de vacinação. Ainda não zerou, porque alguns se contaminaram antes da proteção total, outros não tomaram a segunda dose ou não se vacinaram, mas mesmo assim houve uma diminuição muito expressiva da mortalidade neste grupo”, explica Stucchi.


Essa redução na mortalidade dos mais velhos reflete nos mais jovens. “Já estamos vendo uma diminuição de internação e óbitos no grupo que está sendo vacinado, o que aumenta a proporção de pessoas mais jovens internadas”, completa Maciel.

Covid-19 no DF e nos estados

Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 13.941.828 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 41.694 desses confirmados no domingo. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 65.612 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +3% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade nos diagnósticos.


Oito estados estão com alta nas mortes: AC, AP, ES, GO, MG, PA, RJ e RR; 13 estados estão em estabilidade: AL, AM, BA, MA, MS, PE, PI, PR, RO, RN, SE, SP e TO; e há queda em 5 unidades da Federação: CE, DF, MT, PB, RS e SC.


Com informações do G1

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