Cinco livros para refletir sobre o racismo

A dimensão do racismo no Brasil é profunda. Compreender os principais pontos históricos e os mecanismos do seu funcionamento pode servir para melhor compreender o cotidiano do país e as desigualdades aqui existentes.


Mais do que isso, a leitura pode contribuir para que os interessados conheçam outros livros, participem e se engajem em espaços de discussão política e teórica.


Confira aqui cinco livros indicados pelo Socialismo Criativo para entender melhor as questões raciais no Brasil e no mundo:


Pele Negra, Máscaras Brancas – Frantz Fanon

Baseado no conceito do inconsciente coletivo e da catarse coletiva, e derivado dele, o psiquiatra francês Frantz Fanon aplica uma crítica histórica sobre as formas complexas pelas quais a identidade, particularmente a negritude, é construída e produzida.

No livro, Fanon confronta a formação de construções psíquicas colonizadas da negritude. Ele aplica a psicanálise para explicar os sentimentos de dependência e inadequação que os negros experimentam.


Racismo e Sociedade – Carlos Moore

Por décadas, o escritor cubano Carlos Moore vem atuando na defesa e promoção dos povos afrodescendentes em todo o mundo e desenvolvendo pesquisas e estudos aprofundados sobre as relações étnico-raciais. Moore já escreveu diversos livros sobre a temática.


No livro “Racismo e Sociedade”, Moore faz um apanhado histórico e uma análise apurada das questões contemporâneas que dizem respeito ao racismo.


Dispensando o foco tradicional sobre a chamada “questão do negro”, ele aprofunda a história do racismo e a construção das bases das relações raciais contemporâneas. Seu estudo situa essas relações no contexto da história mundial e no desenvolvimento da espécie humana.


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O Genocídio do Negro Brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado – Abdias Nascimento

O escritor e ativista Abdias do Nascimento vai contra a visão de que o Brasil seria uma democracia racial, mostrando a realidade da população negra do país, incluindo a violência e os abusos. Ele também apresenta o histórico da escravidão dos descendentes de africanos no Brasil.


A pesquisa que antecedeu o livro foi banida do Festival Mundial de Arte e Cultura Negras, na Nigéria, em 1977. O questionamento de Abdias sobre a “harmoniosa convivência racial no Brasil” foi substituído, no evento, pela palestra do professor Fernando A. A. Mourão, que defendeu que o Brasil havia acabado com o racismo.


Racismo estrutural – Silvio Almeida

Recente, o livro de Silvio Almeida é peça importante para quem quer compreender a complexidade do racismo na sociedade brasileira. Para além da segurança pública, ele é uma ideologia e um mecanismo que atua na perpetuação das desigualdades do país em todas as esferas.


Silvio Almeida apresenta uma série de argumentos e conceitos com a generosidade digna do professor que é para explicar para todos os leitores a profundidade do racismo no Brasil.


Memórias da Plantação – Grada Kilomba


A partir de episódios cotidianos de racismo, a escritora portuguesa Grada Kilomba discorre sobre a violência que o racismo estabelece na vidas dos negros, seja pela depreciação do cabelo e corpo, como da cultura e própria exclusão social de espaços de poder e liderança, até mesmos à linguagem que pode servir de ferramenta para perpetuar opressões.


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