Cavalo de pau em transatlântico

Por, Domingos Leonelli


Por enquanto quem está ganhando com a implosão da chapa majoritária PT-PSD-PP que concorreria às próximas eleições na Bahia, é o jovem candidato da Arena-PDS-PFL-DEM-União Brasil, ACM Neto.


A parte que tocava à esquerda nessa chapa era a candidatura de Jaques Wagner ao Governo do Estado. O correto senador Otto Alencar seria candidato à reeleição. O PP continuaria como vice. Era um consenso aceito por todos os partidos que mesmo não participando da chapa majoritária (PSB, PCdoB, Avante e outros) sentiam-se nela representados.


Nessa operação, o governador Rui Costa continuaria à frente do Governo do Estado e seria ministro no futuro governo de Lula. Faria por Wagner o que Wagner fez por ele em 2014 . E não seria apenas por gratidão, mas sim, por necessidade política dada a força da candidatura de ACM Neto.


Numa manobra da cúpula das cúpulas considerada pelo meu partido, o PSB, como desrespeitosa aos partidos que construíram a primeira vitória de Wagner em 2006, essa chapa foi desmontada num passe de mágica.


Rui sai do governo para se candidatar ao Senado , Wagner desiste e o senador Otto Alencar seria o candidato ao Governo.


Leia também: Em defesa do PSB e da Federação


As possíveis razões desse cavalo de pau num transatlântico são puramente petistas e não levaram em conta as outras forças progressistas da Bahia. Atribui-se a responsabilidade a Lula querendo trazer o PSD para sua aliança eleitoral já no primeiro turno. e ao desejo de Rui Costa de aproveitar os altos índices de aprovação governo para candidatar-se ao Senado. E a Wagner a compreensão de que sua eleição seria muito difícil se Rui abandonasse o governo em abril.


O que é que veio antes ou depois : a candidatura de Rui ao Senado, a manobra de Lula junto ao PSD, usando a Bahia como moeda troca , ou a chateação de Wagner?


Sinceramente não importa a ordem desses fatores. Permanece a indagação : a cúpula do PT tem o direito de tomar uma decisão dessa envergadura sem consultar nem as lideranças dos partidos aliados, nem a sociedade, nem os parlamentares e nem as bases do próprio PT?

Um governador, um ex-governador e um ex-presidente são os donos do destino politico da Bahia? E pela eventual volta da direita ao Governo do Estado?


Ressalte-se aqui o bom senso e a dignidade do senador Otto Alencar que, pelo menos incialmente, resistiu a essa manobra que o levaria a uma candidatura para a qual não se preparou e nem desejava. E embora tenha sido todos esses anos um firme aliado da esquerda no Senado, deve saber que ao disputar o governo, o primeiro argumento dos adversários será o de que a disputa se dará entre o velho “carlismo” representado por ele e o novo carlismo representado por ACM Neto.


E de quebra, esse comportamento da cúpula do PT joga água no moinho dos que estão contra a formação da federação que uniria as esquerdas, exatamente com o argumento do hegemonismo do PT. Eu uso o argumento contrário: se já estivéssemos organizados numa federação, a cúpula do PT teria muito mais dificuldade para tomar uma atitude tão desrespeitosa e autoritária.


Por Domingos Leonelli, ex-deputado federal e coordenador do site Socialismo Criativo

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