Brasil tem 14,8 milhões de desempregados, aponta IBGE


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Por Ana Paula Siqueira, Socialismo Criativo


O desemprego no país segue alta com 14,8 milhões de pessoas nessa situação. No trimestre de março a maio deste ano, 14,6% da população está sem emprego. O percentual continua praticamente o mesmo em relação ao trimestre anterior (dezembro de 2020 a fevereiro de 2021), quando 14,4% da população estava desempregada. Na comparação com o período de março a maio do ano passado, houve alta de 1,7 ponto percentual (12,9%).


Ao invés de buscar soluções para o problema que atinge a população do país ou, pelo menos, tentar justificar a terrível estabilidade no número recorde de desempregados, o ministro da Economia de Jair Bolsonaro (sem partido), Paulo Guedes, resolveu atacar novamente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), respeitado em todo o mundo pelo trabalho que desenvolve ao longo dos anos.


A população desempregada (14,8 milhões de pessoas) se manteve estável se comparado ao trimestre terminado em fevereiro (14,4 milhões de pessoas). Porém, quando a comparação é feita com o mesmo período do ano passado, são mais 2,1 milhões de pessoas sem emprego.


Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (30), pelo IBGE. O indicador usa trimestres móveis, que não correspondem necessariamente ao primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres do ano.


A população ocupada (86,7 milhões de pessoas) cresceu 0,9% (mais 809 mil pessoas) em relação ao trimestre móvel anterior (dezembro a fevereiro) e ficou estável frente ao mesmo trimestre de 2020 (março a maio).

População subocupada é recorde

A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas (7,360 milhões de pessoas) foi recorde da série histórica iniciada em 2012, com altas de 6,8% (mais 469 mil pessoas) ante o trimestre móvel anterior e de 27,2% (mais 1,6 milhão de pessoas) na comparação anual. A taxa composta de subutilização (29,3%) ficou estável frente ao trimestre móvel anterior (29,2%) e subiu 1,9 p.p. frente ao mesmo trimestre de 2020 (27,5%).


A população subutilizada (32,9 milhões de pessoas) ficou estável frente ao trimestre móvel anterior (32,6 milhões de pessoas) e aumentou 8,5% (mais 2,6 milhões de subutilizados) em relação ao mesmo trimestre de 2020 (30,4 milhões de pessoas).

Informalidade chega a 40% da população ocupada

A taxa de informalidade foi de 40% da população ocupada, ou 34,7 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, a taxa havia sido 39,6% e de 37,6% no mesmo trimestre de 2020. O número de empregados sem carteira assinada no setor privado (9,8 milhões) ficou estável ante o trimestre anterior e cresceu 6,4% (mais 586 mil pessoas) frente a igual trimestre de 2020.


O número de trabalhadores por conta própria (24,4 milhões) subiu 3% frente ao trimestre móvel anterior (mais 720 mil pessoas) e 8,7% (mais 2,0 milhões de pessoas) na comparação anual. O número de trabalhadores domésticos (5 milhões) ficou estável nas duas comparações.

Metodologia de pesquisa do IBGE

A Pnad Contínua é realizada em 211.344 casas em cerca de 3.500 municípios. O IBGE considera desempregado quem não tem trabalho e procurou algum nos 30 dias anteriores à semana em que os dados foram coletados.


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Existem outros números sobre desemprego, apresentados pelo Ministério da Economia, com base no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Os dados são mais restritos porque consideram apenas os empregos com carteira assinada.

Críticas vazias de Paulo Guedes

A divulgação da PNAD Contínua, mostra que não passa de um engodo a propalada retomada da economia. E Paulo Guedes voltou a atacar o IBGE que, segundo ele, estaria na “Idade da Pedra Lascada”.


“Nós criamos 300 mil empregos em junho (com base nos dados do Caged). Desde que a Covid nos atingiu, já criamos 2,5 milhões de novos empregos. A Pnad do IBGE está muito atrasada metodologicamente, pesquisa feita por telefone… É muito superior a metodologia do Caged, ela vem direto das empresas. Nós vamos ter inclusive que rever, acelerar os procedimentos do IBGE porque ele ainda está na idade da pedra lascada, baseada ainda em métodos que não são os mais eficientes. (Com o Caged), nós temos informações direto das empresas”, disse o ministro da Economia de Jair Bolsonaro em evento no Rio de Janeiro.


Guedes, no entanto, fez uma crítica totalmente insipiente ao comparar os dois índices. O Caged, apurado pelo Ministério da Economia, considera apenas trabalhadores com carteira assinada, com base em dados enviados pelas empresas, enquanto a PNAD é muito mais abrangente com dados inclusive de trabalhadores que estão sendo jogados na informalidade em razão da política econômica neoliberal do governo.


Guedes voltou a repetir a ladainha, dizendo que “o Brasil está acelerando num ritmo acelerado” e prometendo criar “um milhão e meio de empregos neste ano”. A pesquisa mostra, no entanto, que nos últimas três meses cerca de 200 mil brasileiros ficaram sem trabalho.

IBGE como alvo

Desde o início do governo, o IBGE é um dos alvos preferenciais de Paulo Guedes. Em fevereiro de 2019, Guedes mandou reduzir o número de perguntas do censo a 10 perguntas alegando que é esse o tamanho do questionário nos países ricos.


“Se perguntar demais você vai acabar descobrindo coisas que nem queria saber. Sejamos espartanos, façamos as coisas mais compactas e vamos tentar de toda forma ajudar”, afirmou na ocasião.


O ministro também cancelou o censo nos três anos do governo alegando falta de dinheiro. A medida fez com que ao menos cinco diretores do instituto pedissem demissão ainda em 2019.


O processo de sucateamento e consequente aparelho do órgão fez com que Guedes colocasse um amigo pessoal – o economista Eduardo Luiz Gonçalves Rios Neto – na presidência do órgão depois da saída de Susana Guerra, que pediu demissão após novo cancelamento do censo, em 2021.


Com informações do Uol e Revista Fórum

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