Bolsonaro veta homenagem a João Goulart, deposto pela Ditadura


(Imagem: Socialismo Criativo)

Com Plinio Teodoro

Em despacho divulgado no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (14), Jair Bolsonaro (sem partido) vetou projeto de lei que “denomina Rodovia Presidente João Goulart o trecho da rodovia BR-153 compreendido entre o Município de Cachoeira do Sul, no Estado do Rio Grande do Sul, e o Município de Marabá, no Estado do Pará”.


João Vicente Goulart, filho de Jango, comentou com exclusividade para o Socialismo Criativo sobre a decisão de Jair Bolsonaro em vetar o nome do ex-presidente para nomear uma rodovia federal. Ele diz que não causa nenhuma surpresa a medida do atual presidente, que expressa extrema ciúmes de quem, como Jango, está escrito na história do Brasil por ter lutado por um país democrático e livre.


Jango se tornou o único presidente constitucional do país a morrer no exílio lutando por essas causas, destaca João Vicente. O vulto da figura de Jango não será maculada pelo corte de um nome para uma estrada feito pelo Bolsonaro. “Para a história do Brasil e para trajetória e currículo de Jango, nada mais nada mais grandioso do que um veto de Bolsonaro”, comentou.


“Eu ficaria triste se ele não tivesse vetado. Porque receber uma homenagem do Bolsonaro, a essa altura, quando ele está no lixo da história, não é do porte nem do vulto do presidente João Goulart.


Em 2024 fará 60 anos que Jango deixou a presidência do Brasil. Ainda assim, reforça João Vicente, ele continua vivo na história nacional.

“Esse Bolsonaro está tropeçando morto nas Eleições de 2022. Foi a pior governo que o Brasil já teve. Um governo assassino, genocida e que trata as minorias como estamos vendo nessa conjuntura. Entregando o Brasil às moscas e ao rentismo internacional. Viva Jango!” João Vicente Goulart

Homenagem a Jango

A lei foi proposta em 2012 pelo ex-senador Aloysio Nunes (PSDB). Em 2013, o relator da proposta na Câmara, o então deputado José Luiz Stedile – irmão de João Pedro Stédile – lembrou as propostas de Goulart, que levaram à derrubada de seu governo pelo golpe militar em 1964.


“Um plebiscito fez voltar o presidencialismo e Goulart, com o referendo popular, tentou implantar um elenco de reformas estruturais. No célebre comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964, com a presença das centrais sindicais, de representantes das Ligas Camponesas, da União Nacional dos Estudantes (UNE), dos padres, dos partidos de esquerda que apoiavam o governo e do Partido Comunista, Jango assumiu publicamente os decretos das primeiras duas reformas de base: a agrária e a encampação das refinarias particulares de petróleo. Depois viriam a elegibilidade de sargentos, cabos e soldados, a reforma urbana, a reforma bancária, o voto dos analfabetos e o plebiscito para a reforma da Constituição. Dezoito dias depois, João Goulart foi derrubado pelos militares no golpe de 31 de março”, diz o texto.


Em seu veto, Bolsonaro ataca a memória de Goulart e diz que “busca-se que personalidades da história do País possam ser homenageadas em âmbito nacional desde que a homenagem não seja inspirada por práticas dissonantes das ambições de um Estado Democrático”.


A declaração vai ao encontro do que Bolsonaro e seus apoiadores pregam, tendo como foco o que consideram como “comunismo”.


O revisionismo histórico do presidente ainda idealiza um culto ao “regime” militar – que eles negam que tenha sido uma Ditadura e a torturadores, como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que torturou Dilma Rousseff (PT) e é homenageado constantemente pelo clã Bolsonaro.


O presidente diz ainda que “entende-se que escolher homenagear apenas uma figura histórica poderia representar descompasso com os anseios e as expectativas da população de cada unidade federativa abrangida pela Rodovia”.


A decisão foi tomada com pareceres dos ministérios da Casa Civil, de Ciro Nogueira (PP-PI), e da Infraestrutura, comandado por Tarcísio Gomes de Freitas.

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