Bolsonaro firma compromissos para enfrentar a crise climática


Presidente Jair Bolsonaro usa gravata verde ao discursar na Cúpula do Clima, evento promovido por Joe Bidden. Presidente americano não assitiu fala de Bolsonaro - (Imagem: Marcos Corrêa/Presidência da República)


Por Iara Vidal, Socialismo Criativo


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez uma série de compromissos nesta quinta-feira (22) durante participação na Cúpula de Líderes sobre o Clima. O chefe do Executivo, em mudança de tom sobre o tema, se comprometeu a zerar até 2030 o desmatamento ilegal no país; reduzir as emissões de gases do efeito estufa; buscar ‘neutralidade climática’ até 2050, antecipando em dez anos a meta anteriormente estabelecida; e ‘fortalecer’ os órgãos ambientais, ‘duplicando’ recursos para fiscalização.


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Bolsonaro foi o sexto líder a discursar

O presidente brasileiro tem com este evento a oportunidade de reposicionar a sua imagem no campo das relações exteriores e, até mesmo, atrair recursos para o cumprimento dos objetivos estipulados. O encontro tem um enfoque importante de discussão da capacidade de geração de emprego e renda nos países que adotarem a agenda de ação climática, dentre outros planejamentos que busquem a utilização de tecnologia, o cooperativismo internacional e a criação de benefícios econômicos em favor do combate à devastação ambiental.


Bolsonaro foi o sexto líder a discursar no evento. Ele afirmou que o Brasil continua a "colaborar com os esforços mundiais contra a mudança do clima".

“À luz de nossas responsabilidades comuns, porém diferenciadas, continuamos a colaborar com os esforços mundiais contra a mudança do clima. Somos um dos poucos países em desenvolvimento a adotar e a reafirmar a NDC [Contribuição Nacionalmente Determinada] transversal e abrangente, com metas absolutas de redução de emissões, inclusive para 2025, de 37%, e de 40% até 2030.”

Confira a íntegra do discurso de Bolsonaro:



Joe Biden fez compromissos ambiciosos

A Cúpula foi aberta nesta quinta, em evento organizado pelo governo dos Estados Unidos (EUA). Na abertura, o presidente Joe Biden, anfitrião e coordenador do encontro, prometeu reduzir as emissões de gases do efeito estufa dos EUA em 50%, em relação aos níveis de 2005, até 2030 e afirmou que os próximos anos farão parte de uma ‘década decisiva’ para o combate às mudanças climáticas.


A nova meta dos EUA é quase o dobro da anterior, que tinha sido fixada por Barack Obama — em 2015, o país tinha se comprometido a cortar as emissões entre 26% e 28%. Para chegar a essa meta, o governo estadunidense vai analisar como cada setor da economia pode cortar a poluição. Haverá metas para outros níveis de gestão, como governos estaduais e prefeituras. Também devem ser impostos objetivos para a iniciativa privada.


As medidas precisarão ser aprovadas pelo Congresso do país. O plano dos EUA é que em 2035 toda a geração de energia seja neutra. Depois de outros 15 anos, em 2050, o país inteiro não emitirá gases que aquecem o globo (ou seja, os EUA terão atingido a neutralidade de emissões).

EUA querem incentivar outros países

Os EUA esperam também incentivar outros países a assumir metas audaciosas para o combate às mudanças climáticas em seus próprios territórios. Na terça-feira (20), a União Europeia chegou a um acordo climático provisório para a redução de pelo menos 55% nas emissões líquidas de gases do efeito estufa até 2030. Além disso, o bloco tem o objetivo de atingir a neutralidade de emissões até 2050.


Outros países responsáveis por uma parte significativa das emissões, como a China e a Índia, devem aumentar as suas emissões ou mantê-las estáveis durante a próxima década.

A China é hoje o maior emissor de gases de efeito estufa. O país já afirmou que o pico de suas emissões se dará por volta de 2030. A partir de então, passará a decrescer para chegar a zero em 2060.

Reduzir as emissões para os níveis de 2005

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse que o mundo precisa retornar aos níveis de emissões de gás carbono registrados no ano de 2005 para alcançar a subsistência. “Nós precisamos de um planeta verde, mas estamos em alerta vermelho, à beira do abismo. Precisamos agir”, afirmou.

“Precisamos diminuir as emissões de gás para os níveis de 2005. E precisamos nos assegurar de que o próximo passo esteja na direção correta. Líderes em todo mundo devem agir, primeiro fazendo uma coalizão por emissão líquida zero”.

Guterres também elencou uma série de medidas socioeconômicas que precisam ser adotadas para atingir as mudanças necessárias e promover a integração das comunidades na transferência para o modo de produção com energia limpa.


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Segundo o secretário-geral da ONU, as nações precisam frear o financiamento às indústrias produtoras de carvão para começar a investir em infraestrutura verde. Para ele, a política de taxação sobre emissão de carbono deve ser adotada em todos os países, em linha com o projeto de coalizão global idealizado pela organização para zerar as emissões líquidas.


As Nações Unidas defendem que bancos privados atuem ao lado dos governos como investidores em projetos de inovação que levem à transferência para bases de energia limpa e renovável.

Cúpula de Líderes sobre o Clima

O encontro reúne até esta sexta-feira (23), de forma remota, os líderes de 40 nações estratégicas para o combate à crise global das mudanças climáticas, seja por seu pioneirismo em ações de enfrentamento à devastação ambiental, ou por serem grandes emissores de gás carbono.


A cúpula antecede a 26ª Conferência sobre o Clima, a Cop26, a ser realizada em novembro em Glasgow, na Escócia. Um dos principais objetivos é impedir a elevação da temperatura média do planeta acima de 1,5 grau neste século.


A expectativa é de que a Cúpula seja um ambiente propício para negociações que garantam o aprofundamento dos compromissos firmados no âmbito do Acordo de Paris, com a revisão das metas estabelecidas até 2030 para controlar o aquecimento global dentro do limite de 1,5ºC.


Com informações da CNN Brasil e G1

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