Bolsonaro ataca CPI em mais um descontrole verbal


(Imagem: Socialismo Criativo)

Por Mariane Del Rei, Socialismo Criativo


Em mais um descontrole verbal durante a live semanal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quinta-feira (8) que vai ignorar um pedido da CPI da Pandemia, no Senado Federal, para que ele se posicione em relação a possíveis irregularidades na compra de vacinas.


O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), o vice, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), enviaram uma carta ao presidente pedindo uma resposta sobre as acusações de corrupção, feitas pelo deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), envolvendo o governo federal e o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), na negociação da vacina indiana Covaxin.


Durante a transmissão da live, ele atacou Renan, Aziz e Randolfe. Bolsonaro disse “que não vai responder nada para esse tipo de gente, que não estão preocupados com a verdade, e sim em desgastar o governo. Porque o Renan é aliadíssimo do Lula, quer a volta do Lula a qualquer preço”.

“Hoje, [os senadores] fizeram uma festa para eu responder perguntas na CPI. Sabe qual a minha resposta, pessoal? Caguei pra CPI, não vou responder nada. É uma CPI de sete pessoas, agora passaram pra seis, que não tão preocupadas com a verdade.” Jair Bolsonaro

O presidente ainda xingou Renan de “imbecil”, Aziz de “hipócrita” e Randolfe de “analfabeto”. Ele afirmou que o presidente da CPI planejou criar uma emenda para permitir que estados e municípios comprassem vacinas, sem licitação ou autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para “escancarar as portas da corrupção”.


“É por isso que esses três da CPI estão revoltados.” Bolsonaro também disse que há “filtros” no Ministério da Saúde, dizendo que um servidor, sozinho, “nada pode fazer”. “Não gastei 1 centavo com essa vacina [Covaxin]. Não comprei uma dose sequer,” completou. No fim da live, ironizou os senadores e disse que eles podem “deitar” esperando a sua resposta.


Na sequência, questionou o que a CPI “produziu para reduzir o número de mortes” e cobrou que o ex-secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas (PT), seja convocado pela comissão. “Ele sumiu com 50 milhões de reais e não comprou um respirador sequer. Não tenho paciência pra ouvir patifes acusando o governo”.


Desobrigação do uso de máscaras

O presidente voltou a falar sobre sua ideia de desobrigar o uso de máscaras no país, que ele levou ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

“Assim como estados dos Estados Unidos que aboliram e desobrigaram o uso da máscara, conversei com o ministro Queiroga e ele está definindo o percentual da população vacinada pra adotar o mesmo procedimento aqui”. Jair Bolsonaro

“Deixo bem claro: se ele recomendar, a partir de tal data, o não uso da máscara, a não obrigatoriedade, quem quiser ficar usando, fique à vontade. Mas quem achar que não deve mais usar porque já foi vacinado ou já foi contagiado, é um direito dele. Democracia é isso”, disse Bolsonaro, novamente equiparando, sem qualquer ressalva, a condição de pessoas vacinadas e infectadas.


Ao mesmo tempo em que defendeu a atuação da compra de vacinas por parte do governo federal, ressaltando que “não teve uma vacina comprada por governador ou prefeito”, Bolsonaro voltou a dizer que, se depender dele, a imunização não será obrigatória.

“Quem achar que deve se vacinar, que se vacine. Quem achar que não deve, não se vacine. Afinal de contas, quem acredita na vacina está protegido, e quem não acredita, cuida da vida dele”. Jair Bolsonaro

“E não tem esse papo que quem não usa está estimulando outras pessoas a não usar. Isso é democracia”, disse Bolsonaro, em referência ao uso de máscaras.


Com informações do Yahoo! Notícias


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