Ato denuncia intolerância religiosa de policiais durante buscas por Lázaro Barbosa


Representantes e frequentadores de casas de religião de atriz africana do DF e entorno estiveram na Praça Marielle Franco, em Brasília, para repudiar as ações policiais que, segundo eles, invadiram terreiros e outros espaços sagrados durante as buscas a Lázaro Barbosa dos Santos. O protesto foi no fim da tarde desta segunda-feira (28), depois que o criminoso foi encontrado e morto pela polícia, em Goiás.


O grupo pede punição à policiais que teriam agido com truculência e ameaçado diversas pessoas com armas. Também há denúncia de depredação de altares em alguns terreiros. Essas ações, segundo pessoas presentes no ato, foram motivadas pela suspeita de que Lázaro poderia nos espaços religiosos em Águas Lindas, Girassol, Cocalzinho e Edilândia, no Estado de Goiás. Todos os casos descritos já foram registrados em boletins de ocorrência pelos religiosos.


Debate público na Câmara dos Deputados


Também nesta segunda, uma audiência pública virtual da Câmara dos Deputados debateu as agressões e ações policiais nos terreiros de Goiás. A audiência foi coordenada pela Comissão de Cultura da Casa e teve a participação de deputados distritais do DF e deputados federais, além dos líderes religiosos.


O Pai Ricardo de Oxóssi, da liderança tradicional de matriz africana, disse que "ninguém, em nenhum momento, foi contra as buscas a Lázaro naquela região". O protesto é "pela forma como a polícia entrou nas casas".


Os religiosos afirmam que as forças de segurança tentaram vincular as condutas criminosas de Lázaro Barbosa a supostos "rituais satânicos" que não existem nas casas de matriz africana. "Prezamos pela vida, pelo bem estar. As casas de matriz africana acolhem a todos, mas não acolhemos a tudo", disse Pai Ricardo de Oxóssi, durante a audiência pública.


Ao todo, o grupo contou, pelo menos 10 casas religiosas invadidas durante as buscas por Lázaro. Os líderes religiosos pedem que os policiais que agiram com truculência sejam identificados e punidos, além de que seja feito um trabalho de capacitação das forças de segurança para que elas hajam "com o devido respeito a diversidade religiosa e liberdade de credo".


"Os intolerantes daqui a pouco vão começar a atear fogo nos terreiros. O nosso povo já é perseguido demais. Já chega de racismo religioso", destacou Adna Santos, também conhecida como mãe Baiana.


Com informações do G1

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