Artigo: Setembro amarelo a partir das relações capitalistas


(Imagem: Socialismo Criativo)

Socialismo Criativo Juventude em Movimento é a coluna quinzenal e exclusiva para o site Socialismo Criativo assinada por Juliene Silva (PSB-RJ) . Militante do Partido Socialista Brasileiro (PSB), ajuda, desde os 16 anos a construir um país melhor, mais igualitário e com mais respeito e liberdade.

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Boa leitura!

Setembro amarelo a partir das relações capitalistas

O mês de setembro é marcado pela importante luta contra o suicídio, que hoje é a 3ª maior causa de morte entre a juventude. O número de jovens que tiram a própria vida vem crescendo a cada ano acompanhado do alto índice de desenvolvimento de transtornos mentais na juventude e da expansão das redes sociais como plataformas de marketing social, onde se vende o nocivo modo de vida capitalista.


No que preza as relações de trabalho, o capitalismo sustenta a ótica da produção. Não importa o momento, não importa como se sente física ou emocionalmente, apenas produza. Se dissemina a ideia de que descanso é procrastinação e férias é preguiça, o famoso “trabalhe enquanto eles dormem”, que joga para o indivíduo toda responsabilidade do sucesso sem os devidos recortes sociais e econômicos.


Nesse cenário temos uma juventude imersa em desigualdades sociais, no meio de uma crise econômica que é constantemente confrontada com a lógica de que sua falta de sucesso se deve a sua falta de determinação, mesmo encontrando-se exausta. No quesito social a lógica capitalista é a do consumo. Cada um vale o que tem e o quanto pode comprar, sendo um dos grandes difusores dessa visão: as redes sociais. A vida virtual que subjetivamente aparenta ser um retrato da vida real se tornou um grande marketplace de equalizar felicidade e consumo, é a venda de que para ser feliz você precisa estar em determinados padrões, padrões esses que somente se adquirem através do consumo e que mudam constantemente, produzindo sempre novas demandas e atraindo para essas os constantes consumidores.


Então estamos falando de uma sociedade em que felicidade é estar em um padrão, para estar nesse padrão é preciso consumir algo, para realizar esse consumo é necessário poder de compra que segundo esta lógica se consegue através de muito trabalho. Mas frente a altos índices de desemprego, baixo poder de compra, oportunidades desiguais e alta concentração de renda, chegar à “felicidade” torna-se impossível para a maioria, que permanecendo nessa busca é acometida pela exaustão de si e da própria vida.


A grande jogada capitalista é concentrar-se no individualismo. Isso faz com o pensamento seja sempre sobre o que o indivíduo fez ou deixou de fazer, mascarando a real problemática do sistema vigente e da sua forma de estimular o consumo e a produção.


Não digo que os padrões de consumo são o único causador de transtornos psicológicos, mas o nosso modo de vida é um dos grandes pilares do desenvolvimento de patologias da saúde mental. Nossa mente e nosso corpo precisam descansar, mas a busca constante por garantir o consumo não permite tal descanso e se pautar em padrões irreais e portanto inalcançáveis não nos permite em nenhum momento obter a realização. E com isso ficamos cada vez mais doentes.


Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho Federal de Medicina por ano são registrados mais de 13 mil suicídios no país, sendo a maioria cometidos por jovens de 15 a 29 anos e estando 96,8% dos casos ligados ao desenvolvimento de transtornos mentais, onde se encontra em primeiro lugar a depressão.


Quando a organização Mundial de Saúde aponta depressão como “mal do século” e a Associação Brasileira de Psiquiatria em conjunto com Conselho Federal de Medicina nos diz que cerca de 6% da nossa população tira a vida anualmente, sendo esse número crescente, a indicação que temos é a de que é preciso repensar urgentemente nosso modo de vida e nossas relações interpessoais. E não é possível fazer isso sem reestruturar nossa relação com o consumo, sem pautar que o capitalismo deixou de vender carros e celulares para vender modos de vida e que enquanto isso perdurar a tendência é que percamos cada vez mais vidas inconformadas por estarem longe de padrões inalcançáveis.


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