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Argentina usa DNA de políticos desaparecidos para encontrar famílias de crianças roubadas


Lourdes, de 43 anos, e sua mãe biológica, Nélida Soria, de 82, após seu reencontro depois de quatro décadas separadas. Foto: Reprodução

Criado com o intuito de ajudar famílias de crianças desaparecidas políticas da ditadura militar, o Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG) tem trazido esperança para 12,5 mil pessoas que cresceram com a identidade trocada.

O BNDG foi criado em 1987. Foi graças ao banco de DNAs que 130 dos 500 netos procurados pela organização Avós da Praça de Maio foram identificados sem margem de erro. As informações são do El País.

Nos 35 de existência, no entanto, o banco acumulou 12,5 mil resultados de DNA negativos: não são os netos desaparecidos durante a ditadura.

E, enquanto os casos de netos começaram a desaparecer, com o último reencontro feito há mais de dois anos, cerca de 100 novos casos de pessoas em busca de suas origens surge a cada mês.

Alguns, conseguiram receber boas notícias:12 casos negativos do BNDG foram informados que suas mães estão vivas. E nunca foram desaparecidas políticas.

Essa identificação foi possível porque o organismo, paralelamente ao seu arquivo de famílias que procuram netos roubados pelos militares, criou outro cadastro, de mães que procuram filhos roubados em outro contexto que não o do terrorismo de Estado.

Primeiros encontros

Em 2009, os primeiros casos de crianças desparecidos sem relação com a ditadura começaram a surgir. Mas, foi em 2018 que a Justiça solicitou que os casos negativos em poder do BNDG fossem comparados com a amostra de DNA de uma empregada doméstica que procurava uma bebê nascida em 1976, em Buenos Aires.

A criança foi tomada por seus patrões e entregue a outro casal. Ameaçada por eles de perder também seu filho mais velho, permaneceu calada por décadas.

Leia também: Filme com Darín recria julgamento de crimes da ditadura

Mas o cruzamento de informações deu certo. Sua filha biológica duvidava de sua origem e tinha pedido que seu DNA fosse comparado às amostras do BNDG.

A partir daí, outras mães recorreram à Comissão Nacional pelo Direito à Identidade (Conadi). Em novembro, mais dois aconteceram.

Nélida Soria é a mãe que protagonizou um deles e comoveu a localidade de Colón, na província de Entre Ríos. Em 1978, essa uruguaia sem atividade política vivia em Buenos Aires com seu marido, uma filha pequena e um bebê do sexo feminino, que não chegou a registrar.

Uma operação de fiscalização imigratória os obrigou a sair do país e a deixar temporariamente o bebê com um vizinho e não a viram mais.

Há alguns anos, Lourdes, como se chama, quis saber se era filha de desaparecidos. Seu DNA ficou no cadastro BNDG, e sua história permanecia em aberto.

Nélida acaba de encontrá-la porque um conhecido lhe disse que agora a instituição recebia o DNA de mães. E deu certo.

Depois das crianças, filhos esperam as mães

“Precisamos que as mães nos busquem. Estamos esperando por elas”, diz Mariano Landeira, um dos 12,5 mil casos que não tiveram sucesso no banco genético.

Ele nasceu em fevereiro de 1975 numa clínica de Wilde (Buenos Aires) que o vendeu à sua família de criação. Sonha agora em preencher “uma parte vazia” de sua vida.

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