Aneel aumenta em 52% taxa extra na conta de luz


(Imagem: Socialismo Criativo)

Por Tainã Gomes de Matos, Socialismo Criativo


Depois do gás de cozinha, chegou a vez da tarifa extra da conta de luz ficar mais cara. A falta de planejamento diante da atual crise hídrica e o desmonte do Estado promovido pelo governo Bolsonaro já começam a dar prejuízos à população. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu nesta terça-feira (29) aumentar em 52% o valor da bandeira vermelha patamar 2, taxa extra cobrada em junho na conta de luz. A partir de julho, a taxa passa de R$ 6,243 por 100 kWh consumidos para R$ 9,49 por 100 kWh. A média do consumo das famílias brasileiras é de 165 kWh.


Quando as condições são favoráveis, não há cobrança de taxa extra na conta de luz (bandeira verde). No entanto, quando existem problemas como, por exemplo, queda no nível das chuvas e consequente redução nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, o governo precisa cobrar uma taxa extra chamada de bandeiras tarifárias, que podem ser amarela, vermelha ou vermelha patamar 2, a mais alta.

A maior crise hídrica da história

O Brasil passa pela maior crise hídrica em mais de 90 anos. Isso faz com que o país precise acionar as usinas térmicas que fornecem energia mais cara. Na reunião que decidiu o aumento da conta de luz, os diretores da Aneel afirmaram que o cenário não é bom e que pode piorar.


Segundo a agência, existe grande probabilidade de termos, no segundo semestre de 2021, cenários mais críticos do que os até aqui conhecidos.


Socialistas criticam privatizações

Logo após a divulgação da notícia, o deputado federal Camilo Capiberibe (PSB-AP) criticou a medida e alerta que o encarecimento da conta se deve, entre outros fatores, às privatizações.


O líder da minoria na Câmara, Marcelo Freixo (PSB-RJ), lembrou que depois do aumento do gás de cozinha, que hoje custa cerca de R$130 reais, o aumento da luz vem somar a lista de prejuízos que o brasileiro vem tendo na atual gestão do país.

Aumento menor do que o esperado na conta de luz

A área técnica da Aneel havia proposto um aumento ainda maior na bandeira vermelha patamar 2, de 84%, o que levaria a taxa para R$ 11,50 por 100 kWh consumidos. A expectativa é que esse patamar tenha que permanecer até novembro, podendo chegar até dezembro deste ano. Todas as termelétricas do país estão acionadas devido a falta de chuvas no país.


A Aneel informou ainda que pretende convocar uma consulta pública para debater as alterações de metodologia. Assim, há a possibilidade de a bandeira subir novamente após a consulta pública.


Segundo o diretor-geral da Aneel, André Pepitone, já há um déficit de R$ 1,5 bilhão no valor arrecadado pelas bandeiras, e, em julho, o rombo deve aumentar.

Mudança de comportamento do consumidor

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV pedindo o uso consciente de água e de energia elétrica.

Ele apelou para que a população evite desperdícios e que além dos setores do comércio, de serviços e da indústria, a sociedade brasileira participe desse esforço, evitando o gasto excessivo no consumo de energia elétrica.


Por que os valores das bandeiras de luz aumentaram?


A Aneel esclareceu que os valores das bandeiras precisaram ser revisados porque houve aumento no preço dos insumos de usinas termelétricas, como o petróleo. Com a seca e a diminuição da geração de energia em usinas hidrelétricas, as termelétricas são acionadas para garantir o fornecimento. Em tese, as bandeiras tarifárias também têm a função de alertar os consumidores para que haja redução do uso de energia.


Com informações do Uol e G1


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