A ligação de Bolsonaro com grupos neonazistas no Brasil

A cientista social, antropóloga e pesquisadora Adriana Dias, que dedica sua vida ao estudo do avanço dos grupos neonazistas no mundo e, especialmente no Brasil, divulgou dados preocupantes sobre o tema.


“Somente em 2021, quase 1 milhão de pessoas leram material neonazista”, declarou, em entrevista à edição desta terça-feira (18) do Fórum Onze e Meia.


Além da leitura, esse conteúdo acabou sendo propagado de diversas formas, principalmente por meio das redes sociais, inclusive estimulado por Jair Bolsonaro (PL), que nutre uma ligação antiga com esses grupos.


Outro número assustador, segundo Adriana, é que hoje há 530 células de 52 grupos neonazistas. Isso representa que há focos “em quase todos os estados do Brasil”.


Leia também: Grupos neonazistas crescem no Brasil durante governo Bolsonaro


De acordo com as pesquisas da antropóloga, esses focos não param de crescer. Em 2009, em função de brigas entre eles, os dois principais grupos neonazistas em atividade no país tinham recuado e as células se desligaram.


“Era o momento de destruir o neonazismo no país, mas nada foi feito. Em 2011, os grupos que restavam organizaram uma passeata no Masp (Museu de Arte de São Paulo) pró-Bolsonaro. A partir daí eles voltaram à cena nacional, criaram uma ligação forte com Bolsonaro e passaram a crescer 60% ao ano”, relatou Adriana.


Ela contou, ainda, que hoje esse crescimento é de 150% ao ano. “Perdeu-se o controle da ameaça que isso representa”.

“Fascismo não é crime no Brasil”, aponta pesquisadora

Uma das causas do panorama atual, ainda segundo a pesquisadora, tem relação com a legislação brasileira.


“O mais grave é que apenas o nazismo é tipificado no país. O fascismo, não. Ou seja, o fascismo não é crime no Brasil. Por isso, há grupos imensos fascistas se formando, porque sabem que não é proibido”, revelou.


Adriana apontou, também, que o comportamento de Bolsonaro “legitima e permite o avanço desses grupos”.

Adriana encontrou carta de Bolsonaro a site neonazista

Para corroborar que a ligação de Bolsonaro com o neonazismo é antiga, Adriana relembrou que encontrou uma carta do atual presidente publicada em sites neonazistas em 2004.

Três sites diferentes de neonazistas mostravam um banner com a foto de Bolsonaro e o link que levava ao site que o então deputado tinha na época, além de uma carta em que ele afirmava:


“Ao término de mais um ano de trabalho, dirijo-me aos prezados internautas com o propósito de desejar-lhes felicidades por ocasião das datas festivas que se aproximam, votos ostensivos aos familiares. Todo retorno que tenho dos comunicados se transforma em estímulo ao meu trabalho. Vocês são a razão da existência do meu mandato”, dizia a carta.


Partido da neta de ministro de Hitler quer instalar instituto de pesquisas no PR


Adriana relatou, ainda, que o avanço desses grupos no Brasil precisa ser brecado. “É um movimento internacional. O maior partido neonazista da Alemanha tem um instituto de pesquisas. Os integrantes escolheram uma cidade do Paraná para instalar o instituto de pesquisas deles. Estão em dúvida entre Londrina ou Curitiba”, informou.


Trata-se do partido ultradireitista de linha neonazista AfD (Alternativa para a Alemanha). Em julho de 2021, Bolsonaro recebeu, no Palácio do Planalto, Beatrix von Storch, neta do ministro das Finanças de Adolf Hitler (Johann Ludwig Schwerin von Krosigk) e filiada a este partido.

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