A guerra política chegou no BBB22

A polarização política em que o país se encontra faz parte também dos momentos de lazer. É o que indica o início do Big Brother Brasil (BBB), da TV Globo, que realiza a sua 22º ª edição no início deste ano eleitoral.


Se antes manifestações políticas eram discretas, com rumores da existência de um manual de conduta que obrigaria os participantes a evitarem tais assuntos, o que se vê nesta edição é o oposto. O que já trouxe resultados antes mesmo do início do programa, com apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), por exemplo, viverem cancelamentos nas redes.


Após o recrudescimento da pandemia com o negacionismo bolsonarista e das ameaças à democracia por parte de Bolsonaro e seu apoiadores, a Globo subiu o tom no discurso e se colocou abertamente em oposição ao atual ocupante do Palácio do Planalto. Evidentemente, que os atacas bolsonaristas à emissora também compõe o quadro.

Se por um lado a publicidade oficial caiu, pelo outro o engajamento político dentro do reality show mais bem-sucedido na televisão brasileira deve render muito mais lucro.


Em 2021, a emissora faturou em torno de R$ 550 milhões com publicidade no programa. Nos últimos dias de transmissão, o intervalo comercial do programa custava mais de R$ 500 mil. Nesta edição, a projeção é que chegue a R$ 700 milhões.


Para a Globo, a polarização que se vê fora do programa pode ser bastante lucrativa – a exemplo do que ocorre nas redes sociais e seguindo a mesma lógica de quanto mais engajamento melhor. Já para os participantes, a situação é bem diferente. A depender de quem apoiem no governo, podem perder o jogo rapidamente.

Esquerda no BBB

Os participantes declaradamente de esquerda são da cantora travesti Linn da Quebrada, que milita pela causa dos LGBTQIA+. Ela cobrou, inclusive, o ex-presidente Lula por ter posado para foto com o deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), durante o programa de outra ex-participante do programa, Thelma Assis, vencedora da edição de 2020.


O parlamentar em questão se diz “ex-homossexual” e é um defensor da prática absurda e homofóbica da “cura gay”.

Outros participantes à esquerda são da atriz e cantora Maria e do ator Douglas Silva, que também já esteve com Lula.

Bolsonaristas na mira

Na edição de 2020 do BBB, a publicitária Sara era uma das favoritas. Mas após dizer que havia furado lockdown, participado de festas e chamar de “frescura” as medidas de contenção da doença, perdeu popularidade e acabou eliminada pouco depois.


O mesmo aconteceu com o cantor sertanejo Rodolfo, expulso por comentários racistas e homofóbicos. Atualmente, ele afirma ter deixado de apoiar Bolsonaro.


Nesta edição, listas com os posicionamentos políticos dos participantes já circulam pelas redes sociais e se tornou fator determinante para conseguir apoio do público.

Há inúmeros relatos de que administradores dos perfis dos participantes do programa correram para apagar vestígios de apoio à direita.


Entre os bolsonaristas confessos estão a médica Laís Caldas, que também já fez protestos contra o Mais Médicos nas redes sociais.


A cantora sertaneja Naiara Azevedo já posou feliz da vida ao lado da cúpula do governo, gravou música de deboche contra Lula e a ex-primeira dama Marisa Letícia e conseguiu críticas da família da cantora Marília Mendonça, que morreu no final do ano passado, acusada de oportunismo ao lançar música dentro da casa sem avisá-los.


O atleta olímpico paulista Paulo André de Oliveira, também seria um apoiador Bolsonaro. Nas redes sociais, em 2018, ele colocou: ‘p**** namoral, PT de novo não dava não kkkk’. Também proferia frases machistas e xingava internautas de ‘viado’.


O engenheiro Lucas Bissoli, de Vila Velha (ES) tem clara simpatia pelo presidente extremista de direita. Autodeclarado hetero-top, ele compartilha mensagens de apoio a Bolsonaro dizer que “não é de direita nem de esquerda”.


Encerrando com chave de ouro, a modelo Natália Deodato. Além de seguir Bolsonaro e perfis conservadores nas redes, caso tardiamente remediado pelos administradores dos perfis dela, começou mal o programa.


Na noite desta terça-feira (18), causou perplexidade ao afirmar:


“Eu sou preta. Realmente, tem a história que a gente veio e viemos como escravos sim. Por que? Porque a gente era eficiente. Porque a gente era forte. Por que a gente veio como escravo? Porque a gente era bom no que a gente fazia. Se colocasse, talvez uma pessoa lá para fazer aquilo, não conseguiria. Entendeu?”.


Nas redes, ela já tem torcida por sua saída do programa.


Com informações do Vermelho, Uol, Metrópoles e Estadão

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