É impossível consumir moda de forma sustentável, diz Gabriel Fusari


(Imagem: Socialismo Criativo)

A única forma da moda ser sustentável é a compra em brechós e bazares. É o que acredita o comunicador independente Gabriel Fusari. Ele foi o convidado desta semana do programa Moda e Política, que na live desta sexta-feira (3) debateu ‘Comunicação e Moda’.


“A única forma sustentável seria consumindo de brechós. As pessoas que acabam utilizando a moda apenas como adorno, têm muito preconceito. Mas a venda realizada em brechós leva em conta a questão do descarte. É impossível a moda ser 100% sustentável. E só vai ser um pouco sustentável na hora que o Estado intervir com base em ciência”, observa.

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Por isso, Gabriel também chama à responsabilidade o comando das cadeias de produção da moda.


“Sempre tentam imputar a responsabilidade ao consumidor final. Só que eu e você – como consumidores finais – somos apenas marionetes influenciadas pela mídia e pelo comportamento da massa”, afirma Gabriel.


Gabriel Fusari é comunicador independente de moda. Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), já escreveu para veículos como FFW, Harper’s Bazaar e Elle Brasil. Atualmente, produz conteúdo para o Instagram, como vídeos e textos em que fala sobre moda com um olhar politizado e para além do consumo.


O Moda e Política acontece a cada 15 dias. Sempre um convidado diferente é convidado para abordar as principais questões que envolvem o mundo fashion com olhar político sobre o que se passa em toda a cadeia de produção – do cultivo e processamento de fibras passando pelo vestir até o descarte de peças.


As entrevistas são conduzidas pela secretária de redação do site Socialismo Criativo Iara Vidal. A jornalista é pesquisadora independente dos encontros da moda com a política e representa o movimento Fashion Revolution em Brasília. Ela é modativista para que a produção seja justa, ética e consciente. E que preze pelas pessoas e pela natureza acima do lucro.


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Jornalismo de moda X publicidade

Gabriel conta que muito cedo percebeu como o jornalismo de moda é “extremamente fechado, datado e elitista”. O que o fez buscar um outro olhar para o que acontece no universo fashion.


“O jornalismo de moda acaba exercendo mais um papel publicitário do que jornalístico. O que me ajudou a criar um olhar mais politizado sobre a moda.”


Em 2018, quando foi convidado a participar do Goiânia Fashion Week, Gabriel se deparou com toda a diversidade do mercado nacional.

“Percebi que havia grandes histórias a serem contadas, como a história da moda no Brasil. Conheci muitos pequenos criadores que passam muita dificuldade para manter a marca no mercado” Gabriel Fusari

Caleidoscópio

Iara Vidal observa que a moda é um “caleidoscópio”.

“É um modo de produção e também a nossa expressão para o mundo.” Iara Vidal

Ela exemplifica com o exemplo do terninho feminino branco, utilizado como símbolo de empoderamento pelas feministas liberais por remeterem às sufragistas do início do século 20.


“Eu considero uma vitória do patriarcado você ter que vestir um terno para ser respeitada. Vejo muitas mulheres ocupando espaço de poder: ou elas se moldam naquele modelo patriarcal ou elas o subvertem, como a deputada Talíria Petrone (Psol-RJ). As meninas do Psol entraram no mundo da política com uma bagagem cultural nas roupas. Você não vai ver Talíria Petrone de terninho, mas de turbantes e peças que remetem à identidade dela”, exemplifica a jornalista.

Obsolescência e meio ambiente

A obsolescência presente na indústria também é um forte componente no mundo fashion. A diferença é que na moda ela é imaginada, analisa Iara.


“Para fazer com que determinada calça, que enquanto objeto útil continua perfeito, mas enquanto objeto de moda, tenha a obsolescência imaginada. Só que a gente tá vivendo uma crise climática. Um dos maiores poluidores do mundo é a indústria da moda”, ressalta.

A jornalista traz dois exemplos concretos. O primeiro é o poliéster, a fibra sintética mais usada no mundo. Porém, toda vez que o tecido é lavado, ele libera micro plásticos que poluem, especialmente, as águas dos rios e mar.


O segundo é o algodão, a fibra natural mais usada em todo o planeta e que concentra um quinto de todo o agrotóxico utilizado no mundo para o seu cultivo.


Por isso, Gabriel defende a importância de um olhar diferente sobre o mundo fashion.

“Seria muito interessante se as pessoas começassem a olhar a moda menos como um adorno e mas com um olhar mais social” Gabriel Fusari

Assista a live na íntegra




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